Nürburgring fica a menos de uma hora de carro de Colônia, ou pouco mais de duas horas de Frankfurt. O caminho passa por aldeias pitorescas como a que vemos abaixo.
Já anoitecia quando cheguei. Mas os últimos raios do dia ainda permitiam admirar o majestoso castelo de Nürburg. E também os carros clássicos que podiam ser vistos em todos os cantos da cidadezinha.
Jantei (muito bem, por sinal) no restaurante Pistenklause, que funciona anexo ao hotel onde fiquei hospedado, o Am Tiergarten. Esse pequeno hotel, um dos mais tradicionais de Nürburg, pertence à família da conhecidíssima piloto Sabine Schmitz, conhecedora exímia do 'Ring e participante assídua do programa Top Gear. Numa localidade que vive em função do automobilismo desde 1927, poucos estabelecimentos tem tanta história para contar.
No dia seguinte, tomo o café da manhã no hotel. Mas o que é aquela faixa com os dizeres "Save the Ring" pendurada na fachada?
Entro no carro e programo o GPS para ir ao circuito. Minutos depois, avisto um imenso shopping e o GPS me informa que aquele é o local de destino. Acho estranho, mas mesmo assim entro na garagem e estaciono.
Logo, descubro que não se trata de um shopping, mas sim do portal de acesso ao complexo do Nürburgring. Um edifício de proporções gigantescas abrigando lojas de roupas e souvenires, showrooms de fabricantes de pneus, cinemas, pistas de kart indoor e salas de videogames, além de grande número de barraquinhas vendendo desde bonés e camisetas a livros e chaveiros.
Não consigo evitar que a palavra "camelódromo" me passe pela cabeça. Nem a expressão "elefante branco", já que há grandes espaços vazios no interior do prédio. E aí começo a entender o significado daquele apelo na fachada do hotel. Essa monstruosidade de concreto e vidro, construída em 2009, é uma completa afronta ao espírito do Nürburgring. Não só por razões de porte e estética, mas também pela determinação da empresa concessionária em transformar o local num grande parque temático voltado ao entretenimento de massas. Previsivelmente, o empreendimento acumula déficits e depende de frequentes aportes de dinheiro público. Não admira que tenha tantos opositores, na Alemanha e fora dela.
| Galaxie '59, um paradigma de sobriedade diante do novo Nürburgring |
Decido dar uma passada pelo paddock para ver o que há de interessante por lá. Depois de mais uma longa caminhada, sou recompensado pela visão de verdadeiras maravilhas automotivas. Se a minha ida a Nürburgring tivesse se limitado a uma visita ao paddock, já teria valido à pena.
Chega o sábado, e com ele as primeiras competições do evento. As motos e os sidecars abrem os trabalhos. Depois vêm os carros da categoria CanAm, vencida com facilidade pelo italiano Michele Liguori. Liguori, que é dono de um escritório de advocacia em Nápoles, ganha dinheiro defendendo os interesses de seus clientes para depois ganhar corridas ao volante de seu Lola T292 Cosworth. É uma boa causa, eu diria.
De tarde, faltando uma hora para a prova principal, o trecho de pista em frente aos boxes é liberado ao público. Todos, inclusive crianças e animais de estimação, passeiam tranquilamente em meio aos carros alinhados no grid. Até que, uns quinze minutos antes da largada, os fiscais de pista tocam todo mundo para fora com uma objetividade tipicamente germânica.
| "Fora, espectadores". Mais objetivo que isso, impossível. |
Por conta disso, voltei da Alemanha sem ter conseguido dar mais do que uma olhada de relance no sanctum sanctorum do automobilismo de alta performance, o venerado Nordschleife. Falha minha: eu deveria ter agendado ao menos uma volta pelo circuito a bordo de um dos Ring Taxis da BMW, com um piloto profissional ao volante. Ou então algum outro serviço do gênero, como o da Aston Martin com o seu Vantage Copilot-Fahrten.
Os interessados têm ainda a possibilidade de contratar a já citada Sabine Schmitz para uma voltinha no Porsche GT3 de sua equipe atual, a Frikadelli Racing Team. Naturalmente, a lista de espera e o preço da "corrida" (cerca de 600 euros) são diretamente proporcionais ao talento da moça e ao seu status de celebridade.
Agora, se esse sujeito aí embaixo aparecer oferecendo serviços de ring taxi, muito cuidado - é pirata.
Imagem Sabine Schmitz: www.auto-mania.cz
Outras imagens: arquivo pessoal do autor. Reprodução permitida mediante atribuição a este blog

