quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Ewy Rosqvist, ou o dia em que os machões ficaram para trás

Nota do Blogueiro: um dos primeiros posts do Adverdriving, publicado em 23 janeiro de 2010, teve como tema a vitória de Ewy Rosqvist no Gran Premio Standard de la República Argentina de 1962. Agora, em homenagem aos 50 anos do feito histórico dessa grande piloto sueca, volto a publicar esse post em edição revista e atualizada.



Em todo o histórico da participação feminina em competições automobilísticas, poucas vezes se viu uma façanha comparável à da piloto sueca Ewy Rosqvist no Grande Prêmio da Argentina, em 1962.

Na época, essa era sem dúvida a mais importante prova do calendário automobilístico do país vizinho. A denominação "Grande Prêmio" pode confundir, já que se tratava praticamente de um rally de velocidade. Quase 4500 quilômetros em estradas abertas ao público, dos intermináveis retões dos pampas aos caminhos sinuosos das montanhas de Córdoba e Salta, com longos trechos de terra batida ou cascalho ao longo do percurso. Como se não bastasse, em algumas etapas a média horária passava dos 180 km/h. Era coisa pra macho com xis e com cê-agá.

Ao desembarcar em Buenos Aires, Ewy era pouco mais que uma curiosidade. Afinal, o que se poderia esperar de uma mulher numa prova duríssima como aquela, ainda mais enfrentando pilotos do calibre dos experientes campeões argentinos Oscar Cabalén e Nasif Estéfano e dos próprios companheiros de Ewy na equipe Mercedes-Benz, os alemães Eugen Böhringer e Hermann Kühne? Isso para não falar do convidado especial da equipe, o argentino Carlos Menditeguy, ex-piloto de Fórmula 1 e protegido de Juan Manuel Fangio. Previsivelmente - e mais ainda na Argentina machista daqueles tempos - não faltaram piadinhas sobre aquela loira sueca.

Pois bem: com seu sedan 220 SE, a loira Ewy calou a boca de todo mundo, vencendo o Gran Premio de forma esmagadora e chegando em primeiro lugar em todas as seis etapas. Dos 258 inscritos, muitos sofreram quebras mecânicas e ficaram pelo caminho. Houve vários acidentes, alguns deles fatais.


Da noite para o dia, Ewy Rosqvist tornou-se uma celebridade na Argentina, qual uma guerreira viking surgida não se sabe de que Valhalla automobilístico. Daí para a frente, ela e sua navegadora, Ursula Wirth passaram a ser chamadas,  agora com um misto de fascínio e respeito, de "Las Suecas".

Ewy ainda voltaria a disputar o Grande Prêmio da Argentina em 1963 e 1964, classificando-se novamente entre os primeiros. No final de 1964, casou-se com o Barão Alexander von Korff e retirou-se do automobilismo de competição, passando a atuar como uma espécie de "embaixadora honorária" da Mercedes Benz em eventos relacionados à marca.

De 1962 para cá, o mundo mudou. Até o machismo argentino já não é mais o mesmo. Quem sabe se a histórica vitória de Ewy Rosqvist não teve alguma coisa a ver com isso?


7 comentários:

Francisco J.Pellegrino disse...

Rali é mesmo com este pessoal lá da Escandinávia...

Rui Amaral Jr disse...

Lembro de ter lido algo sobre ela, mas a muito tempo!
Obrigado Paulo por mostrar esta bela página da história do automobilismo!


Abs

Belair disse...

Ja' eu nao sabia nada.Bela historia!

Ron Groo disse...

Poxa, não sabia de nada disto. Cada dia aprendo uma coisa nova mesmo.
Vou recomendar este post no Facebook agora.

André Candreva disse...

Paulo,

excelente post... e aprendi mais...

abs...



Paulo Levi disse...

Agradeço a todos pelos comentários. Lembro de ter ficado muito impressionado com essa vitória da Ewy Rosqvist na época em que ela aconteceu, e talvez por isso mesmo eu tenha decidido falar sobre o tema num dos primeiros posts do Adverdriving. Hoje, passados cinquenta anos, acho que o que ela fez nessa corrida é mais impressionante ainda!

Juanh disse...

Las famosas suecas con el no menos famoso Mercedes ganadoras del Gran Premio.
Hicieron historia.
Abrazos!