quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Antenas Truffi e aplicativos anti-troll, tudo a ver

Lá nos tempos da lambreta e da cuba libre - os mesmos em que supostamente se amarrava cachorro com linguiça - a juventude transviada se divertia roubando calotas e distintivos de automóveis. E também quebrando e entortando antenas. No primeiro caso, podia até haver alguma motivação econômica pela possibilidade de revender os itens roubados. Mas no segundo a violência era puramente gratuita, praticada para causar danos à propriedade alheia e se regozijar com o desgosto dos prejudicados.

A prática já assumia proporções epidêmicas em 1961, quando o industrial Victório Truffi, pioneiro na fabricação de antenas automotivas no Brasil, lançou um produto que prometia resolver o problema: uma antena que podia ser travada com o auxílio de uma pequena chave. 

Em sua propaganda, a Truffi adotava uma linguagem direta e popular, qualificando os quebradores e entortadores de antenas como "espíritos de porco" e personificando-os na figura de um porquinho que não consegue praticar suas maldades graças à inovadora antena com chave.

O novo produto teve sucesso imediato, ainda que nenhum consumidor pedisse por ele pelo seu nome oficial, antena Truffi-Mocha. Tornou-se amplamente conhecido como "antena espírito de porco", e pronto.

Lembrei dessa história há algumas semanas, depois de um desagradável episódio de trollagem que aconteceu no espaço para comentários do Adverdriving. E foi aí que me toquei de uma coisa: não há diferença alguma entre um entortador de antenas e um troll. Os dois são movidos pelo mesmo espírito de porco (sem qualquer desdouro aos suínos), e os dois se divertem estragando o que não lhes pertence. Para impedir sua "ação nefasta", como diz o anúncio da Truffi, a solução é uma só: passar a chave. Que no caso de um blog significa ativar a moderação de comentários, tratando-a como se fosse uma espécie de aplicativo anti-troll, chato de usar porém absolutamente necessário.

Foi o que fiz, e se há algo de que me arrependo é o fato de não ter feito isso antes. O Adverdriving pode não ser bem assim um Rolls-Royce, mas não vou deixar que nenhum espírito de porco apareça aqui querendo quebrar ou entortar sua antena.


PS - se você também tem um blog e gostou dessa idéia, fique à vontade para copiar e usar o "selo anti-troll" que aparece no lado direito desta página.

10 comentários:

Rui Amaral Jr disse...

Lembrei bem!
Veja Paulo, sempre moderei os comentários, algumas pessoas atrás de um teclado se acham Super, quando na verdade...

Um abração

Francisco J.Pellegrino disse...

PL, estas antenas fizeram muito sucesso, eu não "entortava" antenas, só roubava faróis de milha....kkkkkkkkkkkkkk

Reynaldo disse...

O amigo aí em cima lembrou bem, os faróis de milha. A solução de muitos era dar um pingo de solda na porca e parafuso do suporte.

Ron Groo disse...

Fui obrigado a ativar no meu também, estava ficando constrangedor para os outros visitantes que pareciam estar se afastando.
Mas beleza, segue a vida. Libero apenas o que não ofende os outros.

Belair disse...

Ninguem ai' fez anel de brucutu?

Rui Amaral Jr disse...

Belair, "anel de brucutu"? Sou jovem!rsrsrs

Abs

Luís Augusto disse...

Ótima comparação, Paulo! Se alguém quiser destilar sua verborragia e sua prolixidade que tenta disfarçar a mais absoluta falta de conteúdo, que o faça longe daqui.

Belair disse...

Rui,pensei que ninguem se lembrava mais,kkkkkk.

Paulo Levi disse...

A todos os amigos que comentaram aqui, muito obrigado. Moderação é um negócio chato, mas no final é melhor pra todo mundo.

E não, não estou querendo bancar o jovenzinho nesta véspera de Dia das Crianças, mas juro que não me lembro do tal anel de Brucutú. Nem do pingo de solda pra garantir os faróis de milha. Vai ver que é amnésia...

Joel Gayeski disse...

Cheguei tarde, mas tudo bem.

Como são legais essas propagandas antigas, que sempre passam a mensagem de uma maneira menos rebuscada e bem-humorada.

Quanto aos trolls, é uma boa mesmo, até porque mesmo que se ignore-os, sempre tem alguém que responde.