quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Os primeiros passos de um entusiasta

Na esteira do post sobre os carrinhos de pedal em Goodwood, recebo do amigo e blogueiro Rui Amaral Jr duas imagens preciosas tiradas de seu álbum de família.

Na primeira dessas imagens, Rui, que devia ter uns três anos na época, está ao volante de uma voiturette de marca e origem desconhecidas. O modelo parece seguir à risca os preceitos de Colin Chapman, ou seja, quanto menor o peso, melhor a performance. 


Não demorou muito para que o inquieto Rui quisesse passar do carrinho de pedal para um automóvel digno desse nome. Sim, porque o que diferencia um carrinho de um automóvel, como a própria palavra sugere, é a capacidade de se locomover por seus próprios meios, de preferência com um motor a combustão interna.

Tudo estava acertado com os patrocinadores, ou seja, com os pais de Rui, quando ocorreu um fato inesperado: nosso herói encostou acidentalmente a mão no motor quente de seu flamante monoposto, o que não só resultou numa dolorosa queimadura como também levou as "instâncias superiores" a vetarem sua estréia na nova categoria.

Pior ainda, logo em seguida Rui teve o desprazer de ver esse mesmo automóvel (que parece inspirado em um Miller da década de 1930) ser entregue como prêmio a um garoto desconhecido em um concurso promovido pela empresa da família, a Alimentos Selecionados Amaral. O felizardo aparece na foto junto a outro menino contemplado com um automóvel do mesmo modelo.


Diante dessa dupla frustração, só restavam a Rui duas alternativas: ou virava as costas definitivamente ao automobilismo, ou redobrava a sua determinação em se tornar um piloto de competição. Que foi exatamente o que fez: na década de 1970, ao volante de um VW 1600, Rui Amaral Jr destacou-se como um dos principais animadores da antiga Divisão 3. E hoje, pilotando com maestria o blog Histórias que Vivemos, escreve sobre automobilismo histórico no Brasil e no exterior. O que prova que, para um verdadeiro entusiasta, um balde de água fria só serve para atiçar ainda mais as chamas da paixão.

8 comentários:

Rui Amaral Jr disse...

Rsrsrs...e Paulo, note que o moleque "safado" ainda faz pose no carro que poderia ser o meu!!!
Obrigado Paulo pelo carinho, sinceramente me emocionei!


Um abraço

Francisco J.Pellegrino disse...

Este Paulo Levi nos emociona...realmente muito bom....parabéns aos dois...só eu enxergo uma abertura tipo Alfa Romeo na primeira foto ????

Belair disse...

Muuuuuuiiito Booomm PL !!!
Textos que "tocam" são raros hoje em dia;parabens.

Belair disse...

Ah! e o Chicão enxergou bem(quem disse que ele tá véio?): tambem ví um cuore alfista alí...

regi nat rock disse...

pensar que eu infernizei minha mãe pra comprar caixas e caixas de mandiopã para participar do concurso... ahahahah
Que lembrança doce ( da história, não do mandiopã) Preciso dar uma olhada nos albuns de familia que estão com uma prima. Acho que tem fotos minhas pilotando alguma coisa com rodas. Só não lembro o que. Delicia de texto.

Rui Amaral Jr disse...

Só vcs dois para notarem a grade de Alfa!
É bem possível pois a foto deve ser de 53/54 e elas eram bicampeãs do mundo. Moramos nesta casa na R. Basilio da Cunha até 56.
Vendo novamente o post, me emcionei outra vez!

Obrigado novamente Paulo.

Paulo Levi disse...

Estou impressionado com a acuidade visual do Chico, precisei ampliar MUITO essa imagem pra enxergar o Cuore Sportivo. Mas não há dúvida, é ele mesmo. Portanto, não há influência de Chapman aí, essa carroceria deve ser by Superleggera, rsrs.

Obrigado a todos, e em especial ao Rui, pelos comentários. Esse post praticamente se escreveu sozinho - e agora, quem fica emocionado sou eu!

Luís Augusto disse...

Bela história, Rui e PL! A minha também começou com um pedalcar, um jipinho da Gurgel que, de tão surrado, perdeu a carenagem de plástico e acabou só no esqueleto de metal...