domingo, 3 de junho de 2012

Museu da Audi, um panorama geral


Este post deveria ter aberto a série sobre o Museu da Audi. Mas acabou sendo atropelado pelos problemas que tive com a minha câmera logo no começo da viagem, e assim acabou ficando para o final desta série.

Estive em Ingolstadt por duas vezes, sendo que a segunda vez foi para fazer as fotos que Murphy não quis que eu fizesse na primeira tentativa. Por mim, voltaria lá mais vezes, já que o museu é de fato muito interessante. O único problema é que todas essas idas e vindas me obrigaram a abrir mão da visita que eu pretendia fazer ao Museu da BMW em Munique. Mas em circunstâncias normais, quem está na principal cidade da Baviera e tem dois dias à disposição pode tranquilamente conhecer esses dois museus, já que Ingolstadt fica a pouco mais de uma hora de distância.

Mesmo abrigando veículos de seis marcas diferentes (Audi, Auto Union, DKW, Horch, NSU e Wanderer) o Museu da Audi é relativamente compacto e fácil de navegar. A importância histórica de cada modelo é apresentada de forma clara e didática com o apoio de paineis fotográficos e recursos digitais interativos, denotando um excelente trabalho de pesquisa e curadoria.


Como no Museu da Mercedes-Benz em Stuttgart, uma visita ao Museu da Audi começa pelo andar de cima e de lá segue rumo aos pisos inferiores. O acervo permanente ocupa os três últimos andares, enquanto o primeiro abriga mostras temáticas de duração limitada. Quando estive lá, o tema eram os esforços contínuos da engenharia em prol da redução do peso dos automóveis.

O DKW STM III, protótipo com carroceria de plástico e 390 kg de peso
No térreo há um agradável e descontraído restaurante em sistema de self-service, e uma loja onde além de souvenires para todos os gostos também pode ser encontrada uma grande variedade de livros com temática automotiva.

Para nós brasileiros, o principal atrativo do museu da Audi é mesmo a sua estupenda coleção de DKWs e Auto Unions. Aqui estão dois modelos que ficaram de fora da primeira leva de imagens sobre essas marcas.

DKW F91 Cabriolet, apenas 2 lugares e 432 unidades produzidas
 Schnellaster, o DKW em versão furgão
Os Audis e Wanderers também merecem ser vistos, embora haja poucos exemplares da marca-mãe anteriores à Segunda Guerra. E os Horch do museu, apesar de magníficos, também são poucos. Quem tiver um interesse especial pelos automóveis dessa marca deve programar uma visita ao Museu August Horch em Zwickau, sua cidade de origem.

Naturalmente, o que predomina em Ingolstadt são os Audis da fase posterior ao renascimento da marca. De especial interesse são os modelos do período de transição, quando a Auto Union passou das mãos da Mercedes-Benz para as da Volkswagen, e também o Audi 100, primeiro modelo da marca no pós-guerra a não compartilhar sua plataforma com um DKW. Isso sem falar no Audi 80, precursor do nosso VW Passat.


Audi 100
Audi 80
Os modelos de competição também tem seu lugar no museu. O inovador Audi Quattro, que mudou a cara dos ralis no início dos anos 1980, faz parte do acervo, onde aparece na companhia dos intimidantes monopostos e veículos de récordes da Auto Union do final da década de 1930.




Por último, há a NSU. Que tem uma presença mínima no museu, mas com modelos dignos de nota. É o caso do sedã Ro80 de 1967 - um carro que, ainda mais do que pelo seu motor rotativo, se destacou por um design inacreditavelmente moderno para a época em que foi lançado.


Imagens: arquivo pessoal do autor. Reprodução permitida mediante atribuição a este blog

5 comentários:

Belair disse...

Parabens PL,e obrigado por compartilhar um pouco dessa prazerosa viagem.
Esse Ro80 deve ter sido a inspiracao para o design do Audi 100 dos anos 80 que acabou consolidando o sucesso da marca no mercado americano.Se nao me engano, o mesmo modelo acabou protagonizando tambem aquela historia do "unintended acceleration",nao?
Enfim,esse 80 era realmente bem modernoso para a epoca.

Luís Augusto disse...

Também gosto muito do Ro80, uma pena que ele tenha significado o fim da NSU> E os Malzoni e DKW 67, estavam lá?

Francisco J.Pellegrino disse...

O DKW Cabriolet tb é bonito demais..

Paulo Levi disse...

Belair, obrigado pelo elogio. Não tinha pensado na relação entre o estilo do Ro80 e o desse Audi que você mencionou, mas faz todo o sentido.

Luís, não havia nenhum Malzoni nem qualquer outro DKW brasileiro nesse museu. Uma lacuna, na minha opinião. Se a Mercedes-Benz tem um colectivo argentino exposto em seu museu, bem que a Audi poderia ter pensado nisso. Mas pelo menos na revista Impressions, uma publicação oficial da empresa, há uma foto de um belíssimo Malzoni (com placas da Alemanha) na largada do rali Donau Classic. Pena que o texto ao lado não explique que carro é aquele.

Francisco, também gostei muito do DKW Cabriolet. Devo ter esquecido de publicar uma foto dele no último post por puro ciúme!

Anônimo disse...

... mais uma vez... cadê você ? Isso aí é trabalho de ótimo fotógrafo... tô desconfiado...



M.C.