sábado, 2 de junho de 2012

Museu da Audi, parte 3: os carros da dona da casa

A Audi é um caso raro, se não único, de marca que ressuscitou. Outras marcas de automóveis também sairam de cena e um dia voltaram a ser utilizadas, mas que eu saiba só a Audi pode reivindicar uma relação de continuidade, em termos tecnológicos e empresariais, com uma marca homônima extinta há várias décadas.

Mesmo assim, existe uma tendência a se pensar na Audi como uma marca relativamente recente, desconsiderando a primeira fase de sua existência. No próprio museu da empresa, boa parte de sua história é contada de forma indireta por outras marcas do grupo Auto Union. Mas a Audi do passado também está lá na forma de três automóveis que carregam o seu nome. E a história que eles contam é a história de uma marca em busca de sua identidade.

O primeiro desses automóveis é o modelo M de 1924, uma luxuosa e imponente limousine reservada apenas a alguns poucos e afortunados consumidores. Para todos os efeitos, trata-se de um Horch. O carro só recebeu o nome de Audi porque uma pendência judicial ainda impedia August Horch de produzir automóveis sob o seu próprio nome.



No início da década de 1930, a Horch assumia de vez o papel de marca premium do grupo Auto Union. Com isso, os Audi desciam um degrau na hierarquia do grupo, passando a ser destinados aos consumidores das classe média e média-alta. O compartilhamento de componentes era uma de suas principais características. O modelo Front UW, lançado em 1933, aproveitava a tecnologia desenvolvida pela DKW para se tornar o primeiro Audi de tração dianteira; o motor era originário da Wanderer, e a construção da carroceria ficava a cargo da própria Horch.



A mesma desenvoltura na combinação de componentes de origens diversas também pode ser observada no modelo 920 de 1939, o último Audi a ser produzido antes da Segunda Guerra Mundial.  O chassis era essencialmente o mesmo do Wanderer W 23, enquanto o motor de seis cilindros com comando de válvulas no cabeçote era uma versão reduzida do oito em linha da Horch. Curiosamente, a Audi voltava à clássica configuração motor dianteiro e tração traseira neste modelo, o último da fase inicial de sua história.



Imagens: arquivo pessoal do autor. Reprodução permitida mediante atribuição a este blog

3 comentários:

Belair disse...

A limo e' realmente imponente;o compartimento do motor e' uma joia.

Luís Augusto disse...

Ô Paulo, outra que ressuscitou foi a Wartburg, que nasceu praticamente junto com o automóvel e reviveu após a II GUerra num projeto comunista para aproveitar uma fábrica da BMW próxima à velha fortaleza que lhe dá o nome.

Paulo Levi disse...

Belair, seria muito fácil passar uma boa meia hora só admirando o compartimento do motor desse Audi modelo M.

Luís, não sabia desse passado da Wartburg. Só conhecia os modelos da década de 1960. O interessante é que, por diferentes razões, essas sucessoras da DKW se voltaram para o passado em busca de uma nova marca para os seus produtos.