terça-feira, 17 de abril de 2012

As desventuras da Renault (e do consumidor brasileiro)

Pobre Renault: foi só lançar uma campanha publicitária tentando capitalizar o sucesso de seus motores na Fórmula 1, e a maré virou. Os propulsores da Mercedes-Benz têm se mostrado nitidamente superiores neste início de temporada, e até a Ferrari, apesar de seus problemas, conseguiu tirar sua lasquinha no GP da Malásia. Já a Red Bull-Renault, que era equipe a ser batida no ano passado e em 2010, só conseguiu chegar ao pódio uma única vez nos três GPs disputados até o momento. Realmente, não há como negar que a Renault teve muito azar com o timing dessa campanha, veiculada em formato de "informe publicitário" em revistas especializadas do Reino Unido. Coisas da vida.


Mas o que mais me chamou a atenção na campanha não foi a questão do timing, mas sim a seguinte frase: "A Renault acredita que não faz sentido fornecer motores para uma equipe de sucesso na Fórmula 1 se o público não puder comprar carros que compartilhem a mesma paixão por alta performance."  O texto prossegue exaltando as qualidades das versões Renaultsport dos modelos Twingo, Clio e Mégane. 


Precisei voltar atrás no texto e reler a tal frase duas, três, quatro vezes. Como assim, "A Renault acredita que não faz sentido fornecer motores para uma equipe bem sucedida na Fórmula 1 se o público não puder comprar carros que compartilhem a mesma paixão por alta performance?" No Brasil, a Renault não comercializa um só modelo que possa ser remotamente classificado como de alta performance. Será então que essa sua crença, proclamada com tanta convicção, não se aplica ao mercado brasileiro? Ou será que a Renault acredita que os Logans e Sanderos que vende por aqui, além de Clios que deixaram de ser fabricados na Europa há mais de cinco anos, atendem às expectativas dos brasileiros que compartilham sua paixão por alta performance? 

Diante de uma incoerência dessas, só me resta concluir que existem duas Renaults. Uma se preocupa em atender todos os segmentos do mercado, inclusive aquele formado por consumidores que valorizam o desempenho esportivo, como se vê na Europa. A outra trata o mercado como uma massa indiferenciada e mal informada, que é o que vemos aqui no Brasil. O fato de sermos hoje o quarto maior mercado automobilístico do mundo e o quinto maior mercado para a Renault, à frente inclusive do Reino Unido, parece não fazer grande diferença para a fabricante francesa. Nem isso, e nem o fato de o Brasil ser hoje um mercado importante para marcas premium como a Audi, a Mercedes e a BMW. Esta última, diga-se de passagem, vendeu mais de 13 mil carros no país em 2011, todos com preço acima dos 100 mil reais.

OK, a Renault não é a BMW. Mas mesmo levando em conta os impostos de importação extorsivos praticados por aqui, é difícil imaginar que o mercado brasileiro não teria a capacidade de absorver algumas centenas de unidades por ano de um modelo da linha Renaultsport. Isso, sim, ajudaria a Renault a fortalecer o vínculo entre as suas atividades esportivas e a sua imagem de marca.

Não tenho a ilusão de que isso venha a ocorrer, pelo menos a curto prazo. Assim, só me resta relembrar um das princípios básicos da comunicação corporativa em tempos de globalização: a audiência de uma empresa não se restringe aos habitantes do país de origem do veículo em que a mensagem foi publicada. Hoje, o mundo inteiro é a sua audiência. E não é nem preciso que a sua mensagem tenha sido veiculada pela internet. Basta um exemplar de uma revista estrangeira nas mãos de um leitor minimamente atento.   

19 comentários:

Belair disse...

Timing? O Vettel foi campeao ja' em 2010!!! O que esses caras estavam esperando? O tri?
E os carros que eles vendem no Reino Unido(RenaultSport) sao REALMENTE de alta performance.No Brasil? Ora,o Brasil...
Praticamente TODOS os fabricantes,com ou sem fabrica no Brasil,nos colocam em segundo plano(ou terceiro?) quando se trata de oferecer seus melhores produtos.La' no AE o Alexandre Garcia tratou o tema com muita propriedade.
Porque sera' que o brasileiro nao aprende a exigir?E' tao facil NAO comprar...

Luís Augusto disse...

Cabe acrescentar que a Renault teve sua imagem muito desgastada quando retornou ao Brasil nos anos 90, devido a atritos com o grupo Caoa que a representava. Creio que esse preço é pago até hoje pela marca. Quanto à colocação do Belair, concordo plenamente. Me recuso a comprar carro, muito menos carros com preços extorsivos. Prefiro um popular confiável no dia-a-dia e um antigo para curtir no fim de semana.

Anônimo disse...

... e M.C., escreve: Ô du Volanti ! Tu és vendedor de carro da concorrência ou dono de concessionária ? Alguém ligado as outras montadoras concorrentes da Renô ? Um executivo, engenheiro... A Renault produz ótimos propulsores e, que eu saiba, atééééé, deixa eu ver... até 25 de novembro de 2012 é o motor bicampeão( 2010 e 2011) e estamos bem longe da data. Sem contar as grandes vitórias na década de 1990 com a Williams e nos anos 1980, mesmo fumando à beça, corridas boas fizeram liderando várias. O que quero dizer é que a imensa maioria dos bloguistas são uns bois mandados daqueles. Até falar dos carros da montadora( tive um... e, segredo: a terceira do 1.6 16V é poderosa... Acho que é o melhor da categoria. FIAT, VOLKS, tive na mesma motorizão... bostas são. É saber usar o bibi... )flam sem entender patavina.A propaganda li como se eu compro um Renô scomprei por ser um cara arrojado... Marketing, somente marketing. Se não fosse, Toyota e honda não se mandavam da F1 e tio Bernie não estaria atrás da Hyundai. Os bloguistas gostam, como todo mundo, de se ligarem aos mundo dos ricos e seus produtos consumidos. Eu também ! Até o pobre na escola de samba quer ser mestre sala com roupas da Monarquia ! Ficam mais próximos, né ? É o caso do atual deslumbramento bloguista com a Mercedes Benz... Nada contra a Mercedes, mesmo sendo o carro de Hitl... pô, é passado... esqueçam... e ele ter pedido à Porsche encomenda do carro do povo, voukisvaguem ! Mas estamos em 2012 ! Ferrari, Mercedes( feita na Inglaterra, um bloguista amigo já escreveu errado dizendo ser o bólido 100% alemão... Dei o endereço da equipe na Inglaterra, e, pasme ! Nem agradeceu !), Porsche, Aston Martin, ALFA Romeo, Bugattis, Lamborghini Jaguar, Audis, BMW..., Corvette( Xevrolé ! É !) ligar o nome as tradicionais do esporte é fantástico e sedutor mas meter o pau Renault, Ford, Honda... Peugeot !, é, éééééé... pouca inteligência, falta de esperteza ou distração total. Elas fizeram ótimos trabalhos no mundo do automobilismo esportivo e a Renô é demais ! Ao invés de virem de cima vieram de baixo e a única a se segurar como equipe e fornecedora de motores na F1 é a Renault ! Valeu ?

Anônimo disse...

"motorizão" é igual a motorização.

M.C.

Ron Groo disse...

Em meu ponto de vista...

ainda que os motores renault sejam bons, tirando um ou outro modelo vendido aqui no Brasil, os carros são horrendos.

Paulo Levi disse...

Como apontou o Belair, a Renault não é o único fabricante mainstream que disponibiliza as versões esportivas de seus carros em outros mercados, mas que por algum motivo parece acreditar que os consumidores brasileiros não fazem jus a eles. A Fiat, por exemplo, está começando a vender o 500 Abarth na Argentina, com motor 1.4 turbo de 135 cv. Já os compradores brasileiros do 500 têm que se contentar com menos de 90 cavalinhos, e olha lá.

A diferença entre a Renault e as outras, no caso que motivou este post, é que a Renault cacarejou. Pode até ter cacarejado em Londres, mas deveria saber que o eco do cacarejo reverbera por toda parte.

Paulo Levi disse...

MC, nada contra a Renault. Espero que volte logo à velha forma. E não, não sou agente da concorrência, muito menos da Mercedes-Benz. Se duvidar, leia o post que publiquei em agosto de 2010: Problemas para a Mercedes na F1. E não só na pista.

Paulo Levi disse...

A propósito de algo que o Belair mencionou em seu comentário, recomendo a todos a leitura do post do Alexandre Garcia no Autoentusiastas de 16/4. O tópico desse meu post faz parte de um contexto muito mais amplo, tratado com propriedade pelo AG.

Francisco J.Pellegrino disse...

Tem muito mistério na fórmula Um destes 3 GPs, tá muito esquisito aquela tubulação que trás o ar para a frente da Mercedes, vamos ver se este ftor será determinante em outras vitórias ou se o carro se deu muito bem na pista POLUÍDA de Shangai...a Renault sempre tá meia atrasadinha nas coisas...os mais velhos se recordarão da opção dela de abandonar a parceria Willys e ir montar carros na ARRENTINA...a mesma coisa com Peugeot que veio aqui fabricar BICICLETAS em Minas Gerais nos anos 60 ou 70, não me lembro bem...mas tirando os carros que já estão fora de linha lá na França, até que este Fluence e bem bonito...esperar que estas grandes marcas chamadas de 2a.linha nos presenteiem com carros esportivos é a gente querer sonhar demais...

Paulo Levi disse...

Francisco,
Em primeiro lugar, fico muito contente em te ver por aqui!

Será que com essa tomada de ar o Ross Brawn conseguiu reeditar o golpe de mestre dos difusores de 2009? A se confirmar a hipótese de que eles melhoram o desempenho do carro em ambientes poluídos, então a vitória em Interlagos já está garantida...rs.

Quanto ao Fluence,é sem dúvida o carro mais atualizado da Renault aqui no Brasil. Mas é carro pra brigar com Civic e Corolla, e não pra andar como um esportivo. Quem estiver a procura disso terá de ir a uma concessionária Subaru ou Mitsubishi e pagar preços bem mais salgados. Isso, até que todos os fabricantes aqui instalados sejam pegos de surpresa quando os coreanos lançarem carros com esse perfil. Quem sabe aí acordem - afinal, não foi o Hyundai i30 que provou que havia uma demanda não atendida por hatches médios neste país?

Francisco J.Pellegrino disse...

PL, lá em Shangai a poluição é demais, coisa feia, vamos conferir no Bahrain se a tomada de ar vai funcionar...aí será a sacada do ano.

Joel Gayeski disse...

Paulo, vou resumir o que que penso sobre isso.
TODAS as marcas mainstream nos tratam como mercado de quinta "catiguria".

Agora a verborragia...
Vamos pegar a Renault mesmo.
Nunca nos ofereceu nem um miserável Cliozinho RS dessa geração que ainda temos aqui, vende Logan e Sandero como Renault e não como Dacja (me recuso a grafar com "i") e por aí vai.
Mas aí tem aquele "pequeno" detalhe... se tem quem vende é porque tem quem engole essas m*rdas.

Anônimo disse...

... e M.C.... escreve: Podium do Bahrein... ai, ai, ai ... ai, ai... ai, ai... Renault Power.

Paulo Levi disse...

Joel, é por aí: bastava que a Renault brasileira oferecesse um Clio realmente esportivo (e não uma versão pseudo feita à base de faixas autoadesivas e um emblema "GT", como fazem certos fabricantes), e eu não teria o menor motivo para escrever este post.

Paulo Levi disse...

MC,

Primeiramente, parabéns à Renault por ter dado a volta por cima no GP do Bahrein. Agora, já podem veicular esse informe publicitário sem ficar com cara de tacho. Mas seria bom que omitissem aquele trecho sobre os modelos esportivos que o consumidor pode comprar, pelo menos até que a empresa passe a oferecer pelo menos um deles em cada mercado em que atua. Sabe como é, o mundo está cada vez menor e o leitor de uma publicação inglesa pode estar em qualquer parte do planeta.

E a despeito do que algumas pessoas poderiam deduzir pela veemência dos seus comentários, não acho que você esteja a soldo da Renault. Prefiro pensar que você é um admirador sincero da marca, como é de seu pleno direito. Assim como outras pessoas têm o direito de expressar sua admiração pela marca A, B ou C (ou suas críticas, se for o caso) sem que haja qualquer segunda intenção por trás disso.

Anônimo disse...

... perái. Eu tô conversando com doido ou alguém que não admite que errou ? A Renault é campeoníssima na F1 e no automobilismo ! Leia novamente o que escrevi em 17 de abril de 2012 13:42. Vocês é que são uns esnobes ! Se eu gostaria de ter uma Mercedes AMG na garagem ? Claro ! V-Oitão... Mas a Mercedes ainda não constrói 1.0 por aqui... nossa realidade... Culpa maior do desgoverno e seus impostos. Culpa dos que não gostam de concorrência e choram pro governo ptelho e este logo taxa contra uma JAC Motors da vida. E.U.A. aturou anos a concorrência japonesa em seu próprio território e melhoram a própria indústria. Aliás, trabalho sensacional da chinesa JAC. A Mercedes teve um carrinho que, de tão vagabundo e feio, vendeu só para uns deslumbrados uns anos atrás. Para dizerem, quando perguntados "qual é o seu carro ?", responderem " Mercedes...". Cada montadora se firmou de maneira diferente e para públicos diferentes no mundo. Aí, os deslumbrados não veem isto. A Mercedes todos nós sabemos que, à partir despuser de 150.000 reais aqui terá carros moderníssimos e maravilhosos mesmo 4 cilindros! Acima de 300.000 reais, carros de pura tecnologia ! Na F1, NA ELITE DO AUTOMOBILISMO, A RENAULT É MELHOR QUE A MERCEDES ! E pode, sim, usar as conquistas dela para vender Clios ! Vamos comparar números ? E não sou vendedor da Renault. Só tive um 1.6 16V que tinha uma terceira mágica...

Anônimo disse...

despuser - dispuser. Tô parecendo a Mercedes quando construiu um carro que em um teste capotou a 60km/h... eu , hein ? O tal do Classe A...

M.C.

Alexandre Zamariolli disse...

Hoje, existe apenas UM Renault verdadeiro à venda no Brasil - o Clio Jurassique, morto e sepultado na terra natal. O Fluence é um carro "francês" projetado na Coreia e dotado de mecânica japonesa. E, por falar em mortos vivos, o Logan, o Sandero e o Duster são oriundos de um país cujo produto de exportação mais famoso é um vampiro...

Paulo Levi disse...

Alexandre,
Rsrsrs, Clio Jurassique é muito bom!

O Logan é um exemplo do mais puro Transylvania Style, mas pelo menos proporciona ao usuário uma experiência retrô: todas as sensações a bordo são idênticas às de um Corcel I.

E sobre o conteúdo nipo-coreano do Fluence, eu diria que isso até depõe a favor do carro. Melhor um motor Nissan embaixo do capô do que os motores dos outros modelos que a Renault vende por aqui.