terça-feira, 6 de março de 2012

Irmã de peixe


Seria fácil pensar em Pat Moss (1934 - 2008) como apenas a irmã mais nova de Stirling Moss, um exemplo a mais, entre tantos outros, de piloto cuja carreira se desenvolveu à sombra de um irmão mais famoso e quase sempre mais talentoso. Nada poderia estar mais distante da realidade, já que os resultados que obteve em ralis são mais do que suficientes para lhe assegurar um lugar de destaque na história do automobilismo esportivo.

Entre as muitas vitórias que Pat conquistou ao longo de sua carreira, duas são especialmente significativas sob o ponto de vista histórico. A primeira ocorreu no rali Liège-Roma-Liège de 1960, quando chegou em primeiro lugar na classificação geral. Foi a primeira vez na história dos ralis em que uma mulher não se contentou apenas em vencer na chamada "coupe des dames", uma classificação à parte reservada às participantes do sexo feminino. Isso em uma prova das mais extenuantes, com 96 horas de duração, e ao volante de um Austin-Healey 3000, um brutamontes notoriamente difícil de pilotar. Stuart Turner, chefe da equipe BMC na época e autor de uma recente biografia de Pat, considera essa performance tão notável quanto a de seu irmão Stirling na Mille Miglia de 1955.
  
Pat Moss, Ann Wisdom e o Big Healey
O outro feito histórico de Pat Moss completará 50 anos em 2012: o primeiro lugar no Rali das Tulipas, prova válida pelo campeonato europeu de 1962. Também neste caso, Pat venceu na classificação geral. O fato novo é que dessa vez a inglesa pilotou um Mini Cooper, na primeira de uma longa série de vitórias do modelo nos grandes ralis internacionais. Com o tempo, a imagem do Mini foi ficando mais associada aos pilotos que venceram em Monte Carlo, como Paddy Hopkirk, Timo Makinen e Rauno Aaltonen, mas ninguém pode tirar de Pat Moss o privilégio de ter inaugurado a série.

Pat Moss no Yorkshire Rally de 1962, tendo David Stone como navegador. Com o mesmo carro e no mesmo ano, Pat levaria o Mini à sua primeira vitória internacional, desta vez em dupla com Ann Wisdom

Em 2009, quando o Mini original completou seus 50 anos, foi alvo de muitas homenagens e comemorações. Em 2011, foi a vez da versão Cooper, que veio ao mundo em 1961. Deixo aqui uma sugestão para a BMW, atual detentora da marca: em 2012, que tal mais um chorinho para relembrar os 50 anos daquela primeira vitória em ralis, com direito a uma homenagem especial à grande piloto que foi Pat Moss?

11 comentários:

Belair disse...

Acho que a BMW deveria te pagar por essa dica,PL.

Francisco J.Pellegrino disse...

Ótima lembrança, o irmão famoso sempre foi o preferido da midia...

Anônimo disse...

... e M.C., escreve: O do volante ! Tem muié chegano na F1. "Pilota" de testes mas, quem sabe, poderá correr ! Na Marussia. A senõrita Maria de Villota ! HA !

Ron Groo disse...

Aprendi mais algo por aqui hoje.
E vou recomendar este texto como homenagem ao dia internacional da mulher.

Joel Gayeski disse...

Meu Deus, o eme cê chegou por aqui...

Mais um post didático. Eu nem lembrava que ele tinha uma irmã!

Joel Gayeski disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Paulo Levi disse...

Hehehe, Belair... vamos ver se pelo menos se lembram desse aniversário!

Paulo Levi disse...

Verdade, Francisco, acho que o fato de todas as atenções estarem voltadas ao Stirling fez com que muita gente não percebesse que grande piloto era a Pat. Isso, e também o fato dos ralis ainda não terem a projeção que viriam a ter pouco tempo depois.

Paulo Levi disse...

M.C.: seja muito bem-vindo.

Groo: obrigado pelo comentário - e muito especialmente pela recomendação.

Joel: é, habemus M.C. Que chegou em boa hora pra comemorarmos juntos!

Pedro Motta disse...

Juro que não sabia que a familia moss tinha mais de um piloto!!

Paulo Levi disse...

Pedro, os pilotos da família Moss não eram apenas Stirling e Pat: o pai dos dois, Alfred, chegou a participar das 500 Milhas de Indianapolis na década de 1920, e a mãe Aileen, competia nos trials britânicos.

Um abraço,
Paulo