quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Galaxie à vista!

Itália, agosto de 1968. Faz um calor senegalesco na Riviera Lígure, moderado de vez em quando por alguns acenos de brisa tramontana. Na pequena localidade de Albissola Marina, perto de Savona, veranistas lambuzados de bronzeador se acotovelam numa praia onde é preciso pagar ingresso e fazer fila para entrar. Os juke boxes dos cafés e fliperamas à beira-mar tocam os hits do momento: Gianni Morandi, Adriano Celentano e Patty Pravo, além dos mais variados grupos do ié-ié-ié peninsular, todos competindo com o grito estridente das motos Guzzi e Gilera de escapamento aberto.

E neste cenário à sua maneira exótico, tão distante do Brasil em termos geográficos e espirituais, o que se descortina súbitamente diante dos meus olhos? Um legítimo Ford Galaxie brasileiro, com placas de São Paulo e tudo mais, estacionado com duas rodas sobre a calçada de modo a não atravancar o trânsito.


É uma visão do outro mundo, um impávido colosso em meio aos Fiat 500 e demais representantes da fauna automotiva local. Fico mudo, extasiado. Mais ainda do que fiquei diante do Maserati Quattroporte ou do De Tomaso Mangusta da primeira vez que os vi em carne e osso. Que vontade de viajar pelas estradas européias a bordo daquele orgulho da indústria nacional!

Não saberia dizer muita coisa a mais sobre esse Galaxie, mas lembro que a curiosidade me fez passar um bom tempo ao lado dele esperando o dono chegar. Quando isso aconteceu, tratava-se de um casal com filhos pequenos. Não falavam o português, mas sim o espanhol. Imaginei que talvez o marido trabalhasse na Ford. Nem deu tempo de perguntar, entraram rapidamente no carro e lá se foram eles curtir a Europa. Pelo menos restou a fotografia que ilustra este post, por mais precária que seja, para provar que o Galaxie que eu vi em Albissola Marina não era apenas uma miragem provocada pelo sol do verão italiano.

Imagem: arquivo pessoal do autor. Reprodução permitida mediante atribuição a este blog

Agradecimento especial aos amigos Francisco Pellegrino, do Blog do Camaro (http://blogdocamaro.blogspot.com) e Belair pelo incentivo para escrever este post

11 comentários:

Guilherme da Costa Gomes disse...

Muito interessante Paulo!

PS: aguardamos fotos do Maserati e do De Tomaso...

Abraço,

Francisco J.Pellegrino disse...

PL, vc foi provocado e nos brindou com um grande post...
Abração

Ron Groo disse...

Que bela história... Achar um Galaxie na Itália.

Mas me diga, que carro é aquele branco que vem pela via ao lado do Galaxie?

Belair disse...

Parabens pelo post,e principalmente por ter encontrado a foto!Meus amigos sao muito organizados,ne' nao?
E a foto nao esta' tao precaria assim.No meio da sombra ainda da' para ver os numerais das placas amarelas da epoca.
Ron:e' um Fiat Cinquecento,o precursor do atual 500,que e' bem menos charmoso...

Luís Augusto disse...

Realmente, se fosse um OVNI não chamaria tanto a atenção!

Irapuã disse...

Parabéns pelo post, PL!
E por documentar o "causo". Seria quase inacreditável não fosse a prova definitiva.
Mostrou o pau que matou a cobra!!!

Joel Gayeski disse...

Caramba! Também fiquei curioso pra saber como que o Galoxhão foi parar lá.

O Cinquecento ficou parecendo de brinquedo.

F250GTO disse...

Muito legal o post.
Imagino a surpresa encontrar um brasileiro perto de Savona naquela época.
E parabens por ter guardado esse "documento histórico" e compartilhado aqui conosco.
Precisamos provocar mais o Levi, deve ter mais coisa interessante no baú de onde saiu essa preciosidade.
Romeu

Ron Groo disse...

Obrigado Belair!

JT disse...

Agora eu sei de onde o Paulo Levi tirou seu tempero mediterrâneo para escrever: de sua temporada na península itálica.

Dentre as bandas italianas de rock dos anos 60, teve uma que se destacou: The Rokes, de onde traduzo uma frase emblemática:

"Não importa qualquer caminho que você tome nesta vida, ele será cheio de fantasmas do passado..."

Acima da média para a "jovem guarda" italiana da época, não?

Paulo Levi disse...

Obrigado, amigos! Fico feliz que vocês tenham gostado desse post, que só aconteceu graças às cutucadas do Francisco e do Belair e à sorte que eu tive em encontrar essa foto em meio à bagunça.

Abraços,

Paulo

P.S.: JT, o tempero mediterrâneo vem da convivência com o babbo, a mamma, o nonno, a nonna... mas a temporada no bel paese ajudou a apurar o molho!