segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Tudo pronto para mais uma largada


A contagem regressiva já começou - e o Pocho, meu chapinha e co-piloto deste blog, não vê a hora de entrar em ação. A paralisia em suas pernas traseiras persiste, sequela do grave problema de coluna que o acometeu há cerca de um ano e meio, mas isso não diminui em nada a sua alegria de viver, nem a sua competência no desempenho de suas atribuições.

O Pocho é do tipo que não desiste facilmente, e portanto segue firme em busca da reabilitação. Recentemente acrescentou a hidroesteira à sua rotina de exercícios, e continua a circular pelas calçadas do bairro com a ajuda de suas rodinhas auxiliares. Sempre fazendo amigos, e sempre de olho nas cadelinhas poodle que possam aparecer à sua frente.

Com um co-piloto tão motivado como esse, é natural que aumente a motivação do piloto também. Que venha 2012!

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Te cuida, Loeb... Papai Noel vem aí!

O Natal está chegando e Papai Noel tem pressa. São tantos os presentes para entregar, que para não decepcionar ninguém o bom velhinho resolveu trocar temporariamente o seu trenó por um Audi A1. Tomou umas aulinhas de pilotagem com Marcus Gronholm, e agora se diverte executando powerslides enquanto acena para a multidão à beira do caminho. É bem verdade que o seu navegador não parece muito à vontade - talvez preferisse estar puxando o trenó que vai amarrado na capota - mas aguenta o tranco com resignação porque sabe que no final tudo vai dar certo.


Essa divertida cena, que junta o espírito natalino à paixão pelo automobilismo, não é de autoria de algum ilustrador profissional mas sim de um funcionário da Audi, o designer de interiores Enzo Rothfuss. Pelo nome, dá para perceber que se trata de um predestinado...

Que a alegria e o bom humor contidos nessa ilustração também estejam presentes nos seus festejos de fim de ano. Feliz Natal!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

João Andante e o Ferrari de Montezuma

Está nos jornais de hoje. E também no rádio, na TV, na internet e em praticamente todos os meios de comunicação: a Diageo, uma das maiores empresas de bebidas no mundo, entrou com um processo no INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) contra quatro jovens empreendedores mineiros, a quem acusa de plagiar a marca Johnnie Walker no rótulo da cachaça que produzem de forma quase artesanal. À qual, de forma muito bem-humorada, deram o nome  de João Andante. Confira abaixo as respectivas embalagens e tire suas próprias conclusões.


A minha conclusão é a seguinte: a Diageo perdeu uma boa oportunidade para não fazer nada. O nome da cachaça, e a figura do personagem em seu rótulo, são obviamente uma brincadeira sem o menor potencial para causar prejuízos à imagem do Johnnie Walker, muito menos às suas vendas. Esse é um exemplo típico da falta de senso do ridículo por parte de certas empresas, que vêem fantasmas por toda parte a ameaçar os sacrossantos direitos de suas marcas.

Mas porque falar em whisky e cachaça se este é um blog sobre automóveis? É que a notícia me fez lembrar de um caso semelhante ocorrido há alguns anos nos EUA, envolvendo a Ferrari e o escritor Burt "BS" Levy, autor de uma série de obras de ficção ambientadas no automobilismo esportivo das décadas de 1950 e 1960.

Em 1999, Levy publicou um romance com o título de Montezuma's Ferrari, baseado no épico duelo entre a marca italiana e a Mercedes-Benz na Carrera Panamericana de 1952.

Não demorou muito para que a Ferrari colocasse seu jurídico em campo. Segundo os advogados da empresa, o problema estava na capa do livro, onde há uma espécie de paródia visual do logotipo da Ferrari em que o Cavallino era substituido por pimentas mexicanas dispostas em um arranjo, digamos, "rampante". Tudo dentro do mais puro espírito de humor, exatamente como no nome e no rótulo da cachaça dos quatro mineiros.


Burt Levy preferiu não polemizar. Em vez disso, publicou em seu site um fax recebido dos advogados da Ferrari, onde apesar do tom ameno há uma clara ameaça nas entrelinhas.


Traduzindo:
Prezado Bert (sic)


ASSUNTO: USO NÃO-AUTORIZADO DE MARCA COMERCIAL SIMILAR À DA FERRARI EM FOLHETOS, CAMISETAS E CAPAS DE LIVROS


Foi um prazer conhecê-lo e ouvir seu relato no GP dos Estados Unidos deste ano.


Entretanto, como você poderia prever, causa-nos inquietação o uso das pimentas de forma similar à do cavalinho empinado, e portanto devemos solicitar que mude tudo isso o quanto antes.


Efetivamente, meu entendimento durante a nossa conversa foi o de que seus advogados possivelmente o alertaram de que assumiriamos esta posição, e portanto imagino que este fax não lhe cause grande surpresa.


Ficaria muito grato se você tomasse as providências para resolver a questão com a máxima urgência, e fico no aguardo de sua confirmação em tempo hábil de que este assunto está sendo encaminhado da maneira devida.

Levada a público essa correspondência, ficou patente o ridículo da posição da Ferrari - sem que Levy tivesse que escrever uma só palavra a respeito. Alguns anos mais tarde (não é só no Brasil que as justiça caminha lentamente...), saíu o registro do logotipo das pimentinhas rampantes em nome do escritor.

Não sei no que vai dar a briga Diageo versus João Andante, mas ao que tudo indica a fabricante do Johnnie Walker está disposta a ir até as últimas consequências. Também não sei se a João Andante tem um site - procurei, mas não encontrei. E apesar de não ser advogado - ou talvez por isso mesmo - deixo aqui uma sugestão para os quatro jovens empreendedores mineiros: usem a receita de Burt Levy para dar visibilidade aos argumentos da Diageo contra a marca que vocês criaram. Às vezes, a exposição pública do ridículo é o remédio mais eficaz contra os surtos de onipotência das corporações.

Imagens: divulgação, em portal Folha.com (embalagens João Andante e Johnnie Walker); http://www.lastopenroad.com (reprodução capa de livro/reprodução fax para Burt Levy)

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Cadê o Mercedes que estava aqui?

Não, você não foi sequestrado por um site pirata tentando se fazer passar pelo Adverdriving. É que hoje o blog inaugura uma nova testeira - a primeira modificação significativa em seu visual em mais de dois anos. Sai o Mercedes 500K Spezial Roadster, entra um automóvel que é praticamente o seu oposto. Mais detalhes sobre o recém-chegado e seu antecessor seguem mais adiante neste post.

Mas por que a mudança? Eu poderia alegar diversos motivos - por exemplo, que estava cansado da testeira original, ou que o blog andava precisando de uma renovação em seu visual. Só que não foi nada disso. Então, vou contar a história exatamente como ela aconteceu,

Em agosto deste ano, eu estava de viagem marcada para Elkhart Lake e queria mandar fazer umas camisetas do Adverdriving. Como eu precisava de uma imagem do Mercedes com o lettering em alta resolução, pedi uma ajuda ao meu amigo Alê Oyamada, que é fera nesse tipo de coisa. No dia seguinte, chega um e-mail do Alê com a adaptação que eu havia pedido, e mais algo totalmente inesperado: três estudos para uma nova testeira, um melhor que o outro. Simpatizei imediatamente com um deles (por sinal, o único com um automóvel cuja identidade não consegui decifrar de imediato) e decidi que aquela seria a nova testeira do Adverdriving. Simples assim. Nada como não depender de pesquisas nem de comitês para tomar decisões.

Achei melhor deixar que o blog completasse o seu segundo ano antes de implementar a mudança, já que isso me daria tempo suficiente para comprar a licença de uso da imagem e providenciar a arte final da nova testeira. A qual agora faz sua estréia oficial, trazendo a imagem de um carro que até merecia ser apresentado através de um quiz mas cuja identidade vou revelar sem mais rodeios: é um Austin 10 Lichfield, versão um pouco mais civilizada (ou menos espartana) do lendário Austin 7, o carro que mais do que qualquer outro foi responsável por motorizar os súditos de Sua Majestade. Por coincidência, seu ano de fabricação, 1935, é exatamente o mesmo do Mercedes 500 K da testeira anterior.

Com suas dimensões liliputianas e suas linhas decididamente verticais, o Austin 10 tem uma aparência um tanto cômica que contrasta radicalmente com a elegância quase arrogante do 500 K. Se o Mercedes é uma femme fatale à la Marlene Dietrich em O Anjo Azul, o Austin é uma anônima corista do teatro de revista londrino, com uma voz esganiçada e um sotaque cockney impossível de disfarçar. Mas o carrinho é simpático, irradia bom humor e tem uma leveza que o torna mais apto a enfrentar as realidades do mundo atual. A sensação de leveza é complementada pelo layout da nova testeira, onde o carro parece estar em movimento.

E agora, algumas palavras de despedida sobre o Mercedes-Benz 500 K. Ele e seu sucessor, o 540 K, são indiscutivelmente o ponto mais alto da indústria automobilística alemã no período anterior à Segunda Guerra, comparáveis em tudo aos melhores esforços de marcas como Bugatti, Duesenberg e Alfa-Romeo. Um indicativo de seu prestígio é o preço alcançado há poucos meses por um 540 K no leilão da RM Auctions em Monterey: US$ 9,680.000, recorde absoluto para um automóvel da marca Mercedes-Benz.

O Mercedes tem sido um excelente companheiro de viagem durante esses dois primeiros anos do Adverdriving, mas agora está na hora de voltar para a garagem e deixar que outro carro assuma esse papel. Auf wiedersehen, Spezial Roadster - e welcome aboard, Austin Ten!


Agradecimento especial: Alê Oyamada, pela criação da nova testeira, e Ivan Querino (http://www.ivanquerino.net) pelo trabalho de finalização

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

A roda da fortuna de um Studebaker

O piloto Tony Gulotta nunca figurou na clássica série de anúncios em que a Firestone apresentava, a cada ano, uma galeria fotográfica com todos os vencedores da 500 Milhas de Indianápolis. Ficou de fora por pouco: liderava folgadamente a edição de 1928 quando um entupimento numa tubulação de combustível acabou com suas chances de vitória.

Reprodução de anúncio da Firestone em ingresso para a 500 Milhas
Gulotta não esmoreceu. Voltou a Indianapolis nos anos seguintes, mas o máximo que conseguiu foi um sétimo lugar em 1933. Nem ao menos acertaram seu nome na foto oficial do circuito, onde aparece grafado como "Tony Gulatto". Restou a satisfação de ser o mais bem colocado dos cinco pilotos da equipe de fábrica da Studebaker naquela que foi a derradeira participação da marca nas 500 Milhas.


A partir daí, a história do Studebaker de Gulotta ganha tons de romance picaresco. O carro foi vendido à Firestone, que o exibiu em seu estande na Feira Mundial de Chicago antes de o revender a um cidadão que desejava iransformá-lo em um esportivo de dois lugares. Para tanto, retirou a carroceria original e a descartou como entulho. Mas logo em seu primeiro passeio pelas ruas do bairro, ao tentar cruzar uma passagem de nível, o Studebaker entalou nos trilhos em razão de sua reduzida altura do solo. Por sorte não vinha nenhum trem, mas a experiência fez com que o assustado proprietário o trancafiasse na garagem, de onde só sairia muitos anos depois para ser dado como entrada na compra de um Hudson zero quilômetro.

Mesmo desfigurado, o Studebaker voltou às pistas no início dos anos 1950, só que em provas sem grande expressão. Em 1955, estava numa revenda de usados de uma sonolenta cidadezinha onde ninguém sabia, nem queria saber, de seus antecedentes. Já havia entrado naquela fase da vida de um carro que é quase sempre a última antes do ferro-velho. Mas por uma feliz coincidência, o designer Brooks Stevens soube de seu paradeiro e ao vê-lo o reconheceu como um dos Studebakers que haviam corrido em Indianapolis.

Stevens comprou o carro e o restaurou à configuração original, incluindo uma nova carroceria feita à imagem e semelhança da original. E durante os próximos quarenta anos, o Studebaker ocupou um lugar de destaque em seu museu particular situado nos arredores de Milwaukee.

Após a morte de Stevens, os herdeiros do designer decidiram desativar o museu e se desfazer de seu acervo. Uma vez mais, o Studebaker teve sorte: quem o arrematou foi o empresário August Grasis,  grande aficionado da marca e do automobilismo de competição.  

Se Brooks Stevens já devolvera a esse automóvel a dignidade de seu aspecto original, Grasis deu o passo que faltava: recuperou toda a parte mecânica, não medindo esforços para deixá-lo em condições de se apresentar nas pistas como manda o figurino.




E é exatamente isso que o quase octogenário Studebaker faz atualmente nas provas para automóveis clássicos dos Estados Unidos, onde o seu motor de oito cilindros em linha de 5500 cc, alimentado por quatro carburadores Stromberg, ruge em alto e bom som. Como nos tempos de Tony Gulotta.

Imagens: http://blog.indycar.com (ingresso 500 milhas de Indianapolis, edição 2011); Indianapolis Motor Speedway (foto comemorativa de 1933); arquivo pessoal do autor (outras imagens exceto thumbnail)

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Adverdriving, ano 2


Foi só piscar os olhos, e lá se foi mais um ano desde que o Adverdriving começou a funcionar.

Sinceramente, se alguém me dissesse lá no final de 2009 que eu ainda estaria fazendo este blog dois anos depois, minha reação seria de ceticismo. Até porque eu não sabia muito bem onde estava me metendo. Agora que sei, posso dizer que a estrada é boa e que ainda resta combustível para muitos posts.

Fazer um blog como o Adverdriving dá trabalho, mas é também muito prazeroso. O prazer pode vir da descoberta de fatos que eu não conhecia até então. Ou do resgate de histórias quase esquecidas, não raro obscuras, mas que merecem ser contadas. Ou, principalmente, do desafio de construir uma narrativa original a partir da síntese entre fatos e histórias sem uma relação aparente entre si.

Às vezes, a idéia para um post surge aos poucos e fica maturando durante meses antes de encontrar uma forma definitiva. Outras vezes, principalmente no caso de temas polêmicos envolvendo o marketing e a publicidade, os posts nascem quase prontos a partir de minha experiência nessas áreas e de minhas convicções a respeito dos temas em questão.

Não me considero um escritor - no máximo sou um diletante - mas me identifico muito com a definição do romancista americano E.L. Doctorow para o ato de escrever:
Escrever é como dirigir à noite em meio à neblina. Você só enxerga até onde os seus faróis alcançam, mas pode fazer a viagem inteira dessa maneira.
É claro que, dirigindo nessas condições, às vezes se erra o caminho. Quando isso acontece, é preciso reconhecer o erro, voltar atrás e retomar o caminho certo. Se isso significa reescrever um texto praticamente já escrito, ou mesmo jogá-lo no lixo, paciência. Dá trabalho, mas não há outro jeito.

E apesar da definição de Doctorow, o Adverdriving também passa por trechos ensolarados em seu trajeto. Que são aqueles em que os leitores participam com seus comentários, tornando a viagem mais interessante e trazendo inspiração para novos posts. Sem essa interação, isto aqui seria um monólogo e não um blog.

A todos, os meus sinceros agradecimentos por me darem o prazer de sua leitura e de sua companhia ao longo de mais este ano.

Imagem: http://www.autolichtblog.de