quinta-feira, 24 de março de 2011

Automóvel geneticamente modificado

Uma das duas imagens abaixo não é um photoshop. E, lamento informar, não é a desse aflitivo "cãossarinho".


Esse pesadelo sobre rodas, que parece saído de uma pintura de Hieronymus Bosch, é o Frisky Family Three. Fabricado pela empresa Henry Meadows, de Wolverhampton, na Inglaterra, ele pertencia ao segmento dos microcarros com três rodas, bastante movimentado naquele país até o início dos anos sessenta em função do preço baixo, do licenciamento barato, e de requerer apenas o porte de habilitação para motos.

Para os mais tradicionalistas o fabricante também oferecia uma versão com quatro rodas. O mais espantoso é que o design desses carros era assinado por ninguém menos que Giovanni Michelotti, autor de verdadeiras obras primas como o Maserati 3500 GT e o icônico BMW 2002.

Nesse anúncio da Frisky, a "conexão Michelotti" era usada como argumento de vendas, junto com uma deveras amazing promessa de "amazing acceleration". E, desmentindo a fama dos ingleses como pouco afeitos à hipérbole publicitária, o título asseverava que o carro era a "resposta britânica à demanda mundial".


Ao todo, foram produzidas 1200 unidades dos Frisky de três e quatro rodas, dos quais se estima que 75 tenham sobrevivido.

Imagens: arte de Mehere, em http://www.worth1000.com/entries/145883/dogfinch ("cãossarinho"); www.louwmanmuseum.nl (Frisky de 3 rodas); http://www.expressandstar.com/lifestyle/motors/2011/02/02/my-first-car-frisky-celia-elwell/wd3898357frisky-advert/ (anúncio Frisky)

8 comentários:

Luís Augusto disse...

Esses minicarros foram muito comuns na Alemanha e na Inglaterra, mas nunca soube de algum que quisesse ter no design seu maior argumento (Michelotti criou tb os Alpine que originariam o Interlagos)!

Paulo Levi disse...

Luís,
O Alpine/Interlagos também é um ícone, ainda mais para nós brasileiros. Meno male que o Michelotti estava em um dia mais inspirado quando o desenhou.

roberto zullino disse...

OS Triumph também eram do Michelotti, afinal o cara tinha que ganhar a vida.

Ron Groo disse...

As Isettas também entram nesta categoria?

Mas uma coisa é real, hoje as montadoras penam pra fazer modelos compactos, cada vez menores para se adequar ao mercado e ao transito das grandes cidades.

Joel Gayeski disse...

Parece carrinho de brinquedo pelas proporções meio caricatas. Sou mais um Messerschmitt.

Paulo Levi disse...

Verdade, Roberto... vai ver que os ares da pérfida Albion não faziam bem ao Michelotti.

Paulo Levi disse...

Ron, as Isettas são dessa categoria sim, e até fizeram bastante sucesso na Inglaterra. Também, não era difícil diante de concorrentes como o Frisky e as outras tranqueiras produzidas por lá.

E não há dúvida de que hoje está mais difícil (e mais caro) produzir um carro desse porte que atenda às exigências da lei e dos consumidores. Basta pensar em coisas como os crash tests e a legislação ambiental. O Tata Nano nasceu como um mini/microcarro, mas para ser vendido na Europa terá que ter sua distância entre eixos aumentada (e seu peso também). E aí, já estamos falando de outro conceito.

Paulo Levi disse...

Joel, também sou mais um Messerschmidt.
Principalmente o KR500 de quatro rodas, que chegava fácil aos 140 km/h. A sensacão de andar a essa velocidade num carro assim deve ser a mesma que 320 km/h num F1!