terça-feira, 30 de novembro de 2010

Alfas, paixão e frustração

Já estamos quase em dezembro, o ano vai acabando, e até hoje nem um mísero post neste blog em homenagem aos cem anos da Alfa Romeo. É uma falha grave, eu sei.

Para remediar, aqui está uma seleção de imagens focalizando exemplares muito especiais da marca do Portello. O meu critério para fazer esta seleção se baseou na máxima latina "De gustibus et coloribus non est disputandum" - ou, na feliz versão para o espanhol, "De gustos y colores no discuten los doctores".

No caso, o "gustibus" é o meu gosto pessoal em matéria de Alfas, que me faz preferir alguns modelos construidos de forma quase artesanal para uso em competições, ou então os modelos de rua derivados destes. Todos eles datam da década de 60.

E o "coloribus" só pode ser um, no caso o vermelho. Reconheço que é um clichê, mas esses carros ficariam esquisitos se estivessem pintados de qualquer outra cor.

Giulietta SZ, 1960
Giulia TZ 1, 1963
Giulia TZ 2, 1965
33.2 Stradale, 1967
Uma dessas imagens, a do TZ 1, me remete a uma situação que eu vivi no início dos anos 70. Aconteceu na Suíça, no pátio de um posto de gasolina onde um Alfa idêntico a esse estava à venda ao lado de vários carros usados sem nenhum atrativo especial. O preço, na época, era equivalente a uns dois mil e quinhentos dólares, menos que um insípido e inodoro sedã Fiat 124 zero km. 

Sem conseguir tirar os olhos das formas sedutoras daquele Alfa, tive a exata noção de que estava diante de um pedaço importante da história do automobilismo, ofertado a preço de banana. Mas não havia nada a fazer: eu era apenas um estudante sem renda própria, e além disso o meu futuro estava do outro lado do Atlântico. O timing estava errado, o lugar estava errado, aquela paixão não podia se consumar.

Saí de lá frustrado, me sentindo como um Romeo sem Giulietta. E talvez seja pelo trauma dessa paixão impossível que procrastinei tanto antes de escrever este post.

Imagem do thumbnail: arquivo pessoal do autor. Outras imagens: Centro Documentazione Alfa Romeo

Um comentário:

Ron Groo disse...

Uma seleção de responsa! E como eu sempre digo nos blogs por aí a fora: Nunca houve uma alfa feia.