quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Mamutes na Autoclásica 2010

Em termos automobilísticos, estes três espécimes são do tempo em que os mamutes ainda vagavam sobre a face da terra. Três nacionalidades, três marcas, e três motores descomunais instalados em carros cuja única razão de ser era a de andar rápido, muito rápido. Ou pelo menos tão rápido quanto se poderia desejar antes de 1920.

Não eram carros para qualquer um: na época, quem aspirasse a ter um deles precisava ter bolsos profundos. E também cojones de mamute para não se deixar intimidar pela combinação entre pneus estreitos, centro de gravidade alto e sistemas de frenagem rudimentares.


O primeiro deles, um Itala 1907 com motor de 7,4 litros, é o mais conhecido dos três. Sua fama vem do mesmo ano em que foi construído, quando a primeira edição da Pequim - Paris foi vencida por um automóvel da marca pilotado por um representante da aristocracia italiana, o Príncipe Scipione Borghese. Um dos acompanhantes de Borghese na aventura, o jornalista Luigi Barzini, imortalizaria o feito em um livro lançado em 1908 e publicado em onze idiomas.


O segundo desses carros utiliza a mecânica da Leyland, marca inglesa que se tornaria mais conhecida pelos seus ônibus e caminhões. A transmissão da potência do motor de 10 litros para as rodas do Leyland é feita por uma corrente metálica, solução cujas limitações ficaram dramaticamente evidenciadas no acidente em que a quebra desse componente tirou a vida do engenheiro-chefe da marca, o galês J.G. Parry-Thomas.



Achou pouco os 7,4 litros do Itala ou os 10 litros do Leyland? Então aqui está o carro certo para você: o American La France, com seu inacreditável motor de 14 litros. É isso mesmo, catorze mil centímetros cúbicos. Como esse motor tem apenas quatro cilíndros, são mais de três litros por cilindro. Ou seja: um único cilindro do American La France tem um deslocamento superior ao de todos os seis cilindros somados do motor de um BMW 535i.

Com certeza, os mamutes aprovariam.

Imagens: arquivo pessoal do autor. A reprodução é permitida desde que sejam utilizadas sem fins comerciais, e mediante atribuição a este blog. 

2 comentários:

Ron Groo disse...

14 litros????? Caramba! Quando isto desenvolvia em termos de velocidade?

Beleza não é o forte deles, se bem que cada um vê a beleza de forma diferente do outro. Há quem diga que a beleza de uma maquina desta é tão somente o resultado de seu funcionamento.

Outra coisa que me deixou aqui imaginando: o ronco destes motores. Deve ser descomunal.

Paulo Levi disse...

Ron,

A velocidade máxima do Itala era de 90 km/h. Apesar dos 7,4 litros do motor, a potência era de apenas 45 cavalos, que tinham duas toneladas para tracionar. Vida dura...

Sobre o American La France, não tenho maiores detalhes. Mas acho que o Leyland devia chegar perto dos 200 por hora. Quando o engenheiro Parry-Thomas sofreu o seu acidente fatal, numa tentativa de récorde em uma praia da Flórida, devia estar bem acima dessa velocidade.