sexta-feira, 20 de agosto de 2010

A vinda do Camaro, um conto cheio de som e de fúria

Recebi da Diabloa4, agência especializada em mídia social, uma sugestão de pauta sobre o novo Chevrolet Camaro, acompanhada de um press release (não assinado pela General Motors do Brasil, mas presumivelmente emitido por ela) sobre o novo modelo.

É uma boa sugestão. O Camaro é um lançamento significativo para a GM, não tanto pelo volume de vendas que poderá vir a alcançar entre nós, mas pelo fato de ser o primeiro automóvel de alta performance importado oficialmente pela empresa. Além disso, há uma forte carga simbólica na decisão da GM, depois de todas as dificuldades por que passou, em trazer para cá justamente um dos modelos mais caros e desejados da Chevrolet americana. É um salutar contraponto à procissão de Celtas, Prismas e Classics que saem das linhas de montagem da empresa no Brasil.


Basicamente, o release informa que a versão que teremos por aqui é a 2SS, com motor V8 de mais de 400 hp, e que o carro virá equipado com rodas de 20 polegadas e freios Brembo. As cores disponíveis também são mencionadas. Há, ainda, os endereços de um hotsite (www.chevroletcamaro.com.br) e o twitter oficial do novo modelo (twitter @camarooficial). E é só. O restante do release é dedicado às informações corporativas de praxe sobre a GM nos EUA e no Brasil.

Diante da parcimônia de dados concretos sobre o novo modelo nesse release, resolvi dar a este post um enfoque mais adver do que driving, olhando mais de perto o hotsite do Camaro e passando um pente fino no próprio release.

Começando por este último, a primeira coisa que chama a atenção é a ênfase quase fetichista sobre as rodas de 20 polegadas. De guarnição, passaram a prato principal - o que é no mínimo curioso, quando se pensa que qualquer um pode entrar com seu Golzinho (ou Celtinha, já que o tema é GM) numa loja de rodas e sair de lá ostentando reluzentes aros dessa mesma medida.


Igual destaque é dado aos freios Brembo, apresentados numa linguagem  que faz lembrar as passagens mais incandescentes de um Carlos Zéfiro: "(rodas) ...que deixam à mostra os enormes discos de freios (com 35,5 cm de diâmetro e 3,2 cm de espessura na dianteira e 36,5 cm de diâmetro e 2,8 de espessura na traseira) e as pinças Brembo."

(Quem diria, uma marca de freios ganhar status de grife e ser exibida como um galardão de honra por uma corporação autossuficiente como a GM...)


Passemos ao hotsite, assinado pela agência digital AG2 Publicis Modem. Nele, rodas e freios também ocupam posição de destaque. Mas o personagem central, aproveitando os recursos de áudio do meio internet, é o ronco do motor V8. É como se a GM tivesse bebido na fonte da Harley-Davidson, que considera o ruído do motor de suas motos uma parte tão importante da identidade de sua marca a ponto de fazer várias tentativas (infrutíferas até o momento) de obter seu registro nos tribunais.

Outdoor do Camaro nos EUA: o ronco no centro das atenções.
Logo ao aterrissar no hotsite do Camaro, o visitante se depara com o convite: "Aumente o volume e experimente o poder do ronco do motor com mais de 400cv". Mais adiante, o texto informa que "o escapamento é desenvolvido por especialistas, que trabalham até chegar no ronco perfeito do motor: aquele que faz todos saberem que você está em um Camaro". O tema está presente até mesmo no texto sobre os precursores do modelo: "Em 1967, o Camaro revolucionou a indústria automobilística com um design agressivo, aliado à potência e ao ronco do motor V8". E um dos atributos em destaque na seção que convida a conhecer o novo modelo é o "escapamento duplo com o ronco do Chevrolet Camaro".

Menos, amigos, menos. Por mais entusiasmante que seja a sonoridade desse motor, é muita fixação em um só detalhe para o meu gosto. Isto, e mais a louvação exagerada de rodas e freios, acaba reduzindo o novo modelo a uma simples caricatura, uma espécie de hot wheels que faz vrum-vrum.

E mais: dizer que o Camaro revolucionou a indústria automobilística é o mesmo que dizer que o cheeseburger revolucionou a gastronomia. Com o Camaro, a GM apenas pegou a receita de pony car que a Ford havia criado três anos antes ao lançar o Mustang e preparou uma versão à moda da casa - que, verdade seja dita, acabou ficando melhor que o hamburger, digo, o modelo original.

Antes que alguém me acuse de ter alguma coisa contra o novo Camaro ou contra a GM, quero deixar claro que não é nada disso. Considero o novo Camaro um belissimo automóvel, a começar pelo design inspirado no estilo coke bottle dos modelos da primeira geração. E mesmo sem saber o quanto ele irá custar, duvido que seja possível encontrar tanta performance por Real nas concessionárias de qualquer outra marca de automóveis.

E quanto à GM, fico feliz em constatar que a empresa não só superou sua pior fase, como redescobriu uma verdade fundamental: carros que apenas cumprem a função de levar seus donos do ponto A ao ponto B não fazem nada pela imagem de uma marca. Neste sentido, a vinda ao Brasil do novo Camaro é uma boa notícia não só para os admiradores da marca Chevrolet, como também para qualquer pessoa que goste de automóveis.


4 comentários:

Paulo Keller disse...

Realamente essa é uma boa notícia. O Camaro, além de um mito (pequeno, é certo) é um excelente automóvel.
Espero que a GM não use seu lançamento apenas como ferramenta de marketing e o mantelha no line-up enquanto ele existir.
PK

Paulo Levi disse...

Também torço para que seja assim, PK. Para o bem dos futuros compradores do Camaro, e para o bem da própria GM do Brasil.

Joel Gayeski disse...

Dá pra dizer que o Camaro é um sucesso mesmo antes de efetivamente lançado oficialmente.
Já vi a venda aqui na minha cidade trazido por importadora independente.

Anônimo disse...
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