sábado, 28 de agosto de 2010

Dica de blog: Cuban Classics

Nunca fui a Cuba, e apesar de ter muita simpatia pelo povo cubano prefiro esperar mais algum tempo antes de visitar a ilha. Não sei o que acontecerá por lá quando a dinastia dos Castro chegar ao fim, mas por algum motivo me vem à mente o slogan do candidato a deputado federal Francisco Everaldo Oliveira Silva, mais conhecido pela alcunha de Tiririca: "pior que tá, não fica".

Os automóveis de Cuba dispensam apresentações. Graças à falta de opção de seus abnegados donos e às circunstâncias políticas do país, passaram a integrar o patrimônio turístico cubano. É bem provável que isso mude quando o regime político mudar e o parque automobilístico for finalmente renovado à base de carros chineses e coreanos. Pior para a curiosidade dos turistas, melhor para os cubanos.

Pós-Castro, o ideal é que esses veteranos automóveis sejam mantidos em Cuba, de preferência restaurados ao seu estado original por entidades do próprio estado ou da iniciativa privada, incluindo fundações e particulares. Mas alguns exemplares deveriam ser mantidos no estado em que se encontram como testemunhos de um período da história cubana que sobreviveu por larga margem às realidades geopolíticas que presidiram ao seu nascimento.

Até lá, recomendo uma visita ao blog Cuban Classics (http://cubanclassics.blogspot.com/), mantido por por um discretissimo blogueiro que se identifica apenas como Ralphee. Não sei dizer se ele vive em Cuba, até porquê não há maiores informações a seu respeito em seu blog nem em qualquer outro lugar da web. Mas posso afirmar que o cara tem uma verdadeira paixão por automóveis, além de ser um excelente fotógrafo.




Um dos pontos a favor do Cuban Classics é que suas fotos são isentas do verniz publicitário dos folhetos de promoção turistica. Outro é a sacada de preceder a descrição dos automóveis com fragmentos dos textos publicitários dos respectivos fabricantes à época de seu lançamento. Essa justaposição torna ainda mais impactante o contraste entre o ambiente onde eles foram criados e aquele em que vivem atualmente, fazendo refletir sobre temas como status social, sistemas de governo, obsolescência planejada e a transitoriedade das coisas materiais. Vale à pena conferir.

Imagens: blog Cuban Classics. Reproducão placa de Cuba: site License Plates of the World (http://www.worldlicenseplates.com/

9 comentários:

Joel Gayeski disse...

Do jeito que os salários lá são numéricamente baixos, será que dando 100 dólares a um cubano eu consigo trazer um Chevy 55?

Seria muito interessante haver um mercado de restauração por lá. Imagina o charme que ficariam as ruas?

Paulo Levi disse...

Acho que não sai negócio, Joel. Esses dinossauros americanos são o dodói dos seus proprietários e valem uma nota no mercado de usados de lá.

Agora, se você se contentar com um Lada, a coisa muda de figura: é capaz até de você receber troco dos seus 100 dólares.

roberto zullino disse...

Pelo que sei restaurar um carro cubano custaria muito, a maioria é toda enxertada e nada tem da mecânica original. Não passam de velharias piores que as velharias originais, carro bom é carro zero.

Paulo Levi disse...

Zullino, de fato os cubanos fazem qualquer negócio para manter esses carros rodando. É Mercury com motor de Lada, Pontiac com rodas aro 13 e por aí vai. Mas há colecionadores que não se intimidam diante de um sarapatel desses e gastam o que for preciso para reverter todas essas aberrações. No caso de um carro como o Continental Mark II aí da foto, acho até que vale à pena.

Joel Gayeski disse...

Ih depois dessa tenho medo do que tem sob o capô daquele 356 (A?).

Francisco J.Pellegrino disse...

Eu não teria mêdo do 356 legitimamente cubano....PIOR QUE TÁ NÃO FICA.....!!!!! tô fazendo minha baratinha já se vão 5 anos, a mão de obra customizadora brasileira é uma m&*#@, acho que a cubana que não as mesmas condições é bem superior.....

roberto zullino disse...

O Xicão só faz besteira e depois coloca a culpa nos outros. Só arrumou nó cego para fazer a baratinha assim ficaria baratinho. Essas coisas não funcionam e saem mais caro.
Aqui tem gente muito competente. Montei meu 550 em casa, desmontei, mandei no Pavão para pintar. Gastaram 26 latas de massa plástica na fibra e tiraram 23 latas na lixa, ficou perfeito, a pintura ainda está boa mesmo depois de 10 anos sendo pelo menos cinco anos na pista se esfregando em outros carros. Na época paguei 3 mil reais pela pintura, acho que hoje ficaria por uns 6, mas valeu a pena.
Em carro especial, a economia é a base da porcaria.

Dan Palatnik disse...

"Sarapatel" é perfeito, Paulo!

Estes híbridos cubanos são um capítulo à parte na História do Automóvel. Testemunhos da capacidade de adaptação do cubano, tirá-los da ilha para uma restauração 100% original seria quase revisionismo. Outro dia zapeando pela tv a cabo deparei-me com uma professora de balé e suas alunas em Havana, tendo ao fundo uma maravilhosa Nomad 56 amarela e preta. Inteiraça, se por dentro vai um Perkins a diesel já não posso garantir. Enfim, o Jason já foi, viu e contou: em Cuba há até um clube de raridades e os sócios são bem ortodoxos. Tomara que ainda vivamos para ver até onde vai La Revolución -- e que destino terão esses charmosos dinossauros.

Paulo Levi disse...

Dan,
Obrigado pela visita e pelos comentários! Fiquei curioso para saber mais sobre esse clube que você mencionou, e principalmente sobre o perfil dos seus sócios. Imagino que tenham histórias fantásticas pra contar.