quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Confissões de um adolescente infrator

Não sei em quantos anos prescrevem as infrações de trânsito na Itália, nem se corro o risco de ser preso da próxima vez que puser os pés naquele país. Mas tenho uma confissão a fazer - e, passados 42 anos, tenho a esperança de que as autoridades italianas estejam dispostas a me tratar com clemência.

Então, vamos aos fatos.

Quando eu tinha dezessete anos, fui estudar na Europa. Cheguei lá louco de vontade de dirigir. Mas o problema é que eu não tinha carteira de habilitação, já que a idade mínima no Brasil era (como ainda é) de dezoito anos.

Alguns meses depois, fui passar um feriado em Roma. E aí, apareceu a oportunidade que eu estava esperando.


Incentivado por uma colega de faculdade (cherchez la femme...) que por coincidência também estava em Roma, me armei de coragem e resolvi alugar um carro. Mas como, dirá você, se eu não tinha habilitação? Muito simples: usei uma "habilitação" que havia tomado emprestada a um amigo canadense. O "documento" estava no nome dele e até a foto era a do próprio, mas por incrível que pareça o funcionário da locadora não percebeu, nem me pediu qualquer comprovante de identidade.

(Detalhe: o meu amigo era o bonitão da escola ao passo que eu era o maior nerd da paróquia, como se pode comprovar na foto aí embaixo.)

Como se não bastasse, a "habilitação" desse meu amigo canadense não era do Canadá, mas sim do Congo-Kinshasa, que é como se chamava na época a atual República Democrática do Congo. E havia sido obtida pelo padrasto dele, um ex-piloto da RAF que prestava serviços à força aérea congolesa, mediante escambo por alguns pacotes de Marlboro. Mais gelada do que isso, impossível.

Sorrindo feito um maníaco e com a adrenalina a mil, saí da locadora ao volante de um Fiat 500 branquinho, com teto solar e primeira marcha não sincronizada. Mergulhei no caótico trânsito romano, me perdi várias vezes até encontrar o caminho para Frascati, levei uns bons sustos e também devo ter dado alguns. No final do dia, devolvi o Fiatzinho à locadora são e salvo, dando graças por não ter me envolvido em nenhum acidente. Até hoje, sinto calafrios só de pensar nas possíveis consequências.

Quer saber? Acho que vou cancelar aquela viagem que eu tinha planejado à Itália. Se este post cair nas mãos das autoridades de lá, talvez elas não sejam tão clementes assim...

3 comentários:

Joel Gayeski disse...

Paulo, tem que torcer pra que teu testo não caia nas mãos das autoridades brasileiras senão vão te prender por "incitar os jovens a atos ilegais".

Tem coisas que NEM a Philco faz pra você.

Paulo Levi disse...

Mas eu já ajoelhei no milho, Joel... e como já dizia Bill Clinton, "fumei mas não traguei".

roberto zullino disse...

Não tem como ser policamente correto em um país onde sempre se vendeu carta. Dirijo desde os 14 anos e nunca tive o menor problema quando guiava sem carta. Deve continuar igual.