terça-feira, 13 de julho de 2010

Duas invenções holandesas para você andar mais devagar

Nem bem o automóvel fora inventado, e já havia alguém maquinando meios para obrigar os automobilistas a reduzirem a velocidade. Na Inglaterra do final do século 19, por exemplo, uma lei determinava que os veículos a motor só poderiam circular se fossem precedidos de um batedor a pé, a uma velocidade não superior a 6 km por hora.

Quem reinterpretou essas limitações à luz da modernidade e fez que elas se difundissem mundo afora foram dois holandeses. Certamente você já xingou a mãe de pelo menos um deles - ou, mais provavelmente, dos dois. E o mais paradoxal é que tanto um como o outro não só eram gente fina como viveram muito próximos ao universo do automobilismo de competição.

O primeiro deles, Maurits Gatsonides, foi um dos maiores pilotos de rali no período entre o final dos anos quarenta e meados dos cinquenta. Participou de mais de trezentas provas em diversas categorias.  Seu maior feito foi a vitória na classificação geral do Rali de Montecarlo de 1953.


Curiosamente, o invento de Gatsonides nasceu de seu interesse em andar cada vez mais rápido. Para saber como poderia ganhar algumas frações de segundo em determinado trecho de pista ou estrada, precisava dispor de um bom instrumento de medição - só que esse instrumento não existia. Nenhum problema: Gatsonides, que além de piloto era um inventor de mão cheia, desenvolveu o tal instrumento por conta própria. Isso não só permitiu que se tornasse mais veloz, como também o transformou em um homem rico, já que seu invento foi o embrião das câmeras de trânsito que conhecemos hoje como pardais. Alguns desses dispositivos até que cumprem uma função socialmente justificável, mas infelizmente a maioria parece estar mesmo a serviço da chamada indústria da multa.


O outro invento para reduzir a velocidade dos motoristas deve ser creditado ao também holandês Bernardus Pon, mais conhecido como Ben Pon. Diferentemente da câmera de Gatsonides, que é fixa, o invento de Pon é móvel - pero no mucho. Isso porque Pon é ninguém menos que o pai da Kombi, cujos exemplares há muitos anos ajudam a atravancar o trânsito nas ruas e rodovias brasileiras, de preferência ocupando a faixa da esquerda e ostentando adesivos com a cínica afirmação "Sem Kombi o Brasil para".


Na verdade, Pon não projetou a Kombi. Mas foi ele, na qualidade de importador da Volkswagen para a Holanda, que convenceu a fabricante alemã de que havia um mercado para um veículo como aquele, podendo portanto ser considerado seu criador honoris causa. E seu filho, Ben Pon Junior, se destacou como piloto da Porsche no automobilismo europeu dos anos 60.

Da próxima vez que você estiver trafegando por uma rodovia infestada de pardais, ou então pacientemente esperando que uma Kombi lhe dê passagem, não queira mal aos holandeses. Eles são gente bacana - só que de vez em quando, têm um senso de humor um tanto quanto irônico. Os inventos de Pon e Gatsonides são as maiores provas disso.

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