terça-feira, 8 de dezembro de 2009

O que há em um nome?

Bem vindo ao Adverdriving! Para dar a partida neste blog, vamos falar de um tema que nem existia há uns 30, 40 anos atrás, e que hoje virou uma batata quente para alguns e uma mina de ouro para outros. É um tema que pode ser visto por diversos ângulos, e que tem um enorme potencial de quilometragem. Estamos falando de...


Naming de Automóveis

A definição de um nome para um novo modelo de automóvel é hoje um negócio que movimenta milhões de dólares (ou euros, ou ienes). Se antes isso era feito pelo próprio fabricante ou por sua agência de propaganda, hoje existem empresas especializadas em naming de produtos, com batalhões de psicólogos, semiólogos, especialistas em semântica, advogados, programadores de software, pesquisadores de mercado e por aí vai.  Em alguns casos, o naming faz parte do portfólio de serviços oferecidos por grandes consultorias internacionais de gestão de marcas, como a Interbrand e a Futurebrand. Dificilmente um projeto de naming sai por menos de 100 mil dólares. 

Criar um bom nome custa caro. Mas criar um  nome ruim custa mais caro ainda, pelos obstáculos que isso pode colocar no caminho do sucesso de um novo produto.

Quando um nome é bom, ele passa a integrar o patrimônio da empresa. Seu valor monetário pode atingir cifras altíssimas, conforme as mensurações feitas por consultorias de valoração de empresas e marcas. É por isso que os fabricantes defendem seus nomes com unhas e dentes, não raro indo até as vias de fato nos tribunais.

Criar um nome está se tornando uma tarefa cada vez mais difícil. A primeira impressão que se tem é a de que todos os nomes possíveis e imagináveis já foram criados e já tem dono. Daí surge a necessidade de recorrer frequentemente a nomes "sintéticos", desenvolvidos com a assistência de computadores, ou de partir para a exploração de territórios nunca dantes visitados em busca de inspiração para o naming de automóveis.

Antigamente, as coisas eram bem mais simples. Os pioneiros da indústria eram mecânicos e engenheiros, muito mais preocupados com o produto do que com o mercado. As fábricas - que muitas vezes não passavam de pequenas oficinas - levavam o nome dos donos : Daimler e Benz (inicialmente, independentes uma da outra), Panhard et Levassor, Darracq, Renault, Peugeot, Ford,  apenas para citar algumas que surgiram ainda no século 19. À medida em que iam lançando novos modelos, para diferenciar um do outro, contentavam-se com simples referências à potencia do motor (4 HP, 10 CV...), ou  com números e letras que sinalizasem alguma sequência temporal ou ordem hierárquica (Modelo T, Tipo 1), ou com nomes de uso genérico que remetiam à utilidade do veículo (runabout, touring car, roadster), ou ainda a estilos de carroceria associados aos veículos a tração animal (Phaeton, Landau, Cabriolet).    



Bem, esse é o pano de fundo do nosso tema inaugural. Da próxima vez, vamos mergulhar nele de vez e olhar mais de perto para os seus grandes protagonistas, os nomes. Para cada Eldorado, Imperial e Del Rey, há um Matador, um Cyclone e... uma Besta! 
 

2 comentários:

Anônimo disse...

FIAT : Fabbrica Italiana Automobili Torino?

Paulo Levi disse...

Tem toda a razão, Anônimo - a Fiat não devia mesmo estar entre os exemplos citados, e o significado da sigla é exatamente aquele que você falou. Já corrigi o erro. E muito obrigado por chamar minha atenção para ele!