quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Luigi, o bambino, o nonnino e os empurrõezinhos providenciais de Tio Walt




Para abrir este post, reproduzo um episódio narrado pelo jornalista Bob Sharp, em post de sua autoria no excelente blog Autoentusiastas:

A mulher do jornalista Fernando Calmon não resistiu e deu uma saída com o Fiat Cinquecento que estava com ele, cedido que fora pela fábrica para teste, como é habitual.

Na volta, se dirigiu ao box na garagem subterrânea do prédio onde moram, para estacionar, quando, ao manobrar, viu outro carro parar e uma das portas se abrir de repente.

De dentro saiu um garotinho de uns quatro anos  que correu em direção ao Cinquecento. Chegou ao carro e, pela parte dianteira, abraçou-o e beijou-o afetuosamente dizendo, "Luigi! Luigi!".

Não duvido, nem por um segundo, que o carisma e a simpatia de Luigi - o Fiat 500 do longa de animação Cars, lançado pela Disney-Pixar em 2006 - farão muito para turbinar ainda mais o sucesso do novo Fiat Cinquecento. E o mais curioso é que essa não é a primeira vez que a Fiat recebe um empurrãozinho da Disney: isso já havia ocorrido na década de 30, logo após o lançamento do carro que vinha a ser pai de Luigi e avô do Cinquecento atual.

Em comum com seus descendentes, o primeiro Fiat 500 tirava nota máxima em "fator fofura".  Miudinho e com feições que mais lembravam as de um bebê, dava vontade de pegar e colocar no colo. Foi um dos maiores sucessos da Fiat em todos os tempos, e acabou se transformando em um ícone cultural italiano. 

Quando ainda ensaiava os primeiros passos, o primeiro 500 recebeu o apelido que o identificaria pelo resto da vida: Topolino.

E por que Topolino? Porque Topolino é o nome, em italiano, de um personagem de Walt Disney que, mesmo tendo nascido pouco tempo antes, já fazia enorme sucesso nos quadrinhos e nos cinemas de todo o mundo: Mickey Mouse, o velho e bom camundongo Mickey.




Ao que parece, o apelido Topolino surgiu de forma espontânea. Modalidades como "licensing", "product placement"  e outras do gênero ainda não haviam se difundido pelo mundo do show business, e provavelmente nem passou pela cabeça de Walt Disney cobrar algum tipo de royalty pelo uso do nome. E mesmo que quisesse, dificilmente teria sucesso - até porque topolino, em italiano, é uma palavra de uso comum que significa apenas "ratinho".

De acordo com o diretor de Cars, John Lasseter, a Porsche não pagou nada para ter o 911 como protagonista do filme. Portanto, não há motivo para se supor que a Fiat tivesse desembolsado alguma coisa para que o 500/Luigi aparecesse nele, ainda mais como mero figurante. E no caso do nonnino desta história - o primeiro Cinquecento - o nexo entre Disney e Fiat também parece ter passado ao largo das relações mercantis. Portanto, cai por terra (ao menos para mim) qualquer suspeita de maquinações espúrias visando o lucro vil.

Mas que a coincidência é no mínimo curiosa, isso é. Ainda mais a quase três quartos de século de distância.

Grazie, Walt!


Imagens: www.moviemark.com.br (Luigi); Artur Möller/Wikimedia Commons (Topolino); U.S. Library of Congress/Wikimedia Commons (Walt Disney)

3 comentários:

Felipe Mortara disse...

Salve salve!

felipebitu disse...

Thulum

Passei aqui pra conhecer seu blog e curti um bocado. Muito legal mesmo, parabéns.

Abraço!

Felipe Bitu
AUTOentusiastas

Paulo Levi disse...

Felipe Mortara,

Salve salve digo eu! E obrigado pela força pra fazer este blog pegar no tranco.


Felipe Bitu,

Obrigado pela visita e pelos seus comentários. E parabéns a você e a todo o pessoal do AUTOentusiastas por criarem e manterem um espaço tão bacana!