sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

A estrada daqui para a frente



Os visitantes mais assíduos deste blog já terão deduzido, pela ausência de novos posts desde o final de 2012, que aconteceu algum problema por aqui. E não estarão muito longe da realidade. Não se trata de um problema específico, mas sim de algumas circunstâncias pessoais que me levaram a rever meus planos para este ano de 2013, com implicações diretas sobre a continuidade do Adverdriving.

Fazer este blog sempre me trouxe muita satisfação, mas a verdade é que de algum tempo para cá eu vinha experimentando um certo cansaço. Em determinados momentos, achava que já tivesse dito tudo o que tinha a dizer. Em outros, percebia que o que sempre fora uma atividade prazerosa ameaçava tornar-se uma obrigação. Além disso - e talvez contribuindo para isso - havia também o cansaço no sentido literal da palavra, um desgaste físico e mental acumulado nos três anos de existência do blog. O fato é que, mesmo nos curtos periodos de férias que me concedi ao longo desses três anos, nunca tirei férias do Adverdriving. Minha paixão por tudo o que se refere a automóveis e automobilismo, somada à empolgação de cobrir eventos como a Autoclásica de Buenos Aires, o Elkhart Lake Vintage Festival e o Eifelrennen de Nürburgring, não permitiu que eu percebesse o cansaço se aproximando. Mas ele chegou, e de um jeito impossível de ignorar.

Esse é um dos lados da questão. O outro é que já há algum tempo eu vinha amadurecendo a idéia de escrever um livro, um projeto que requer uma dedicação praticamente em tempo integral. Entendi que não seria possível escrever esse livro e tocar o blog em paralelo sem comprometer os padrões de qualidade e a periodicidade que sempre me esforcei por manter aqui. Claramente, eu teria que escolher entre uma coisa e outra. E toda escolha, como sabemos, sempre implica uma renúncia.

É assim, com um sentimento em que uma inevitável tristeza se mistura à consciência do dever cumprido, que escrevo este post para comunicar que o Adverdriving, ao menos em sua forma atual, vai ficando por aqui. Foram 215 posts em pouco mais de três anos, sempre buscando trazer um ponto de vista original sobre os temas abordados, e sempre buscando evoluir a cada post tanto em conteúdo quanto na forma. Mas o melhor de tudo foi a oportunidade de aprofundar meus conhecimentos através da pesquisa histórica e principalmente da interação com as pessoas que me honraram e me incentivaram com sua leitura e seus comentários, muitas das quais se tornaram amigos não só no ambiente virtual como também fora dele.

Isso não quer dizer que o meu entusiasmo por temas automotivos tenha diminuido um pingo sequer. Não vou sumir do mapa - pretendo continuar por aí, sempre participando da comunidade de entusiastas, mas agora na condição de leitor de sites e de blogs e frequentador de eventos relacionados ao nosso assunto. Foi assim que o Adverdriving começou, e assim será daqui para a frente.

A todos os que me acompanharam nesta jornada até aqui, o meu muito obrigado de coração. Isto não é um adeus, apenas um até breve. Keep driving!

Um forte abraço,

Paulo Levi

Imagem: "O automóvel passou", tela de Giacomo Balla (1913)

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

O co-piloto assume o comando

Já virou uma tradição do Adverdriving o último post do ano com a participação especial do Pocho, o cãozinho que adotei há cerca de três anos e que pouco depois se tornou paralítico em decorrência de uma crise aguda de hérnia de disco.

Ao apresentar o Pocho no final de 2010, me referi a ele como "o co-piloto do Adverdriving". Acho que a definição continua válida, mas nesses três anos de convivência descobri outras facetas de sua personalidade que fazem com que eu me sinta privilegiado por contar com a sua companhia praticamente desde o início do blog.

Pense num animal que de uma hora para a outra perde todo o movimento de seus membros posteriores, passando a depender de ajuda humana até mesmo para fazer suas necessidades básicas. Seria de se imaginar que ficasse apático, deprimido, sem vontade de viver. Ou então rancoroso e agressivo. Mas no caso do Pocho, nada disso aconteceu. Ele continua afetuoso, brincalhão e cheio de vitalidade. E é por isso que na reta de chegada deste ano é ele quem dá o sprint final, como se pode ver no vídeo aí embaixo.



Cuidar de um animal com necessidades especiais como o Pocho impõe uma série de limitações na vida de quem se propõe a fazê-lo. O compromisso é praticamente o mesmo exigido por uma criança de colo, com a diferença de que com o passar do tempo a criança vai se tornando independente e o animal não. Não digo isso para reclamar da vida nem daquilo a que se convencionou chamar de destino, é apenas a constatação de um fato. Só sei que eu não faria nada de maneira diferente.

Mas chega de divagações existenciais, que o lugar certo para isso é um livro (o qual estou seriamente pensando em escrever) e não aqui. A hora agora é de comemorar. Um Feliz 2013 para todos nós, e que nenhum obstáculo possa impedir a realização dos nossos sonhos nesse novo ano que está para começar.


segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Papai Noel Minimalista

De quanto espaço precisa o Papai Noel para transportar seus presentes? Se levar apenas o essencial, bem pouquinho. Coisas como saúde, alegria de viver e paz na terra cabem no coração das pessoas de boa vontade, e o bom velhinho é uma dessas pessoas. Portanto, precisa apenas proteger-se dos elementos e andar rapidinho, pois o mundo não pode esperar.


É por isso que este ano o Papai Noel vai de Messerschmitt KR 200, um automóvel minimalista sem ser lerdo como a maioria dos microcarros. Andar a 100 km/h num veículo com três rodas e tecnologia dos anos 1950, controlando a máquina através de uma espécie de guidão de moto, não é para qualquer mortal. E isso o nosso Noel já provou que não é, caso contrário nem teria fechado a capota de plexiglass desse aviãozinho sem asas, muito menos ar condicionado.

Boa viagem, Papai Noel - e um Feliz Natal a todos os leitores do Adverdriving!

Imagem: http://worldlicenseplates.com

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Subida de Montanha, o quiz

Quem deu a idéia foi o Rui Amaral, titular do blog Histórias que Vivemos. Quem autorizou o uso das fotos, de autoria do grande Jorge Lettry, foram o Gabriel Marazzi e o próprio Rui. E a mim coube a tarefa de apresentá-las aqui no formato de um quiz.

A idéia é simples: ganha quem reconhecer o maior número possível de automóveis presentes nessas fotos. Para simplificar o processo, cada foto está identificada por uma letra onde normalmente estaria a legenda. Não há prêmios, apenas a satisfação inerente ao saudável exercício do carspotting.

Desvendar a identidade desses automóveis não chega a ser um bicho de sete cabeças, mas há exceções. As principais são os roadsters de números 37, 34 e 75, além de outro carro com o mesmo estilo de carroceria cujo número não está visível, mas que ostenta em sua traseira a publicidade de um certo Auto Elétrico Nove de Julho.

E apesar de não haver nenhuma pegadinha neste quiz, alguns dos automóveis apresentados pertencem à turma do "parece mas não é", exigindo um olhar especialmente atento e algum conhecimento histórico para que o leitor não seja induzido a erro. Quem avisa amigo é...

Em tempo: o evento ao qual se referem essas fotos é a primeira Subida de Montanha, prova realizada em 1958 na Estrada Velha de Santos, também conhecida como Caminho do Mar. Hoje fechada ao tráfego motorizado, essa foi a principal ligação rodoviária entre a cidade de São Paulo e o litoral do estado até a inauguração da Via Anchieta, ocorrida em 1947.

E então, quem se habilita?

Foto A
Foto B
Foto C
Foto D
Foto E
Foto F
Foto G
Foto H
Foto I
Foto J
Foto K
Foto L

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Pintou na caixa do correio

Foi só a campainha tocar, e virei criança de novo: era o meu exemplar pessoal de Pinte os Clássicos, o livro para colorir lançado recentemente pelo ilustrador, blogueiro e entusiasta automotivo Maurício Morais.


Que eu saiba, esse é um projeto inédito em nosso mercado editorial, uma coletânea de desenhos de automóveis nacionais que deixaram sua marca na história, e que hoje fazem parte do patrimônio afetivo de várias gerações de brasileiros. São 25 automóveis ao todo, do Simca Chambord 1960 até vários modelos da Volkswagen e da GM dos anos 1970 e 1980, representados no traço limpo e preciso de um dos maiores artistas automotivos hoje em atividade no Brasil. Apesar de produzido de forma semi-artenanal, com encadernação em espiral e capas de plástico flexível, o livro é bem cuidado e impresso em papel de boa qualidade.


Folheando as páginas de Pinte os Clássicos, é difícil não sentir vontade de abrir aquela gaveta de fotos antigas que temos em casa (ou então no sótão da memória) e usá-las como referência para dar ainda mais vida aos carros que Maurício colocou no papel.

Se você estiver um pouco enferrujado no uso do crayon, do lápis de cor ou do gouache, não pense nisso como um problema mas sim como uma oportunidade: convide os membros mais jovens de sua família, sejam eles filhos, netos ou sobrinhos, para colorir esses automóveis com você num processo interativo a várias mãos. Uma parceria que envolve partes iguais de pesquisa e criatividade, conhecimento e diversão, história e fantasia, trazendo como benefício adicional o fortalecimento do vínculo entre as gerações. E também, quem sabe, ajudando a formar mais um (ou mais uma) entusiasta com quem você possa compartilhar o seu gosto por automóveis clássicos, e mais cedo ainda do que imaginava.


Serviço: o livro Pinte os Clássicos pode ser adquirido diretamente com o autor, Maurício Morais. Contatos pelo e-mail mau917@gmail.com, ou pelo site http://mauriciomorais.blogspot.com.br/

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

O barquinho vai (Parte 4 - Final)

A Canção dos Barqueiros do Volga, com sua cadência lenta e obstinada, daria uma boa trilha sonora para este post, o último da série sobre automóveis com nomes náuticos. Se bem que, neste caso, talvez fosse mais apropriado se falar em nomes fluviais.

"Volga, Volga..."
O Volga é o mais extenso rio da Rússia e também da Europa. Mas para o russo médio, ele representa muito mais do que isso: ele é a "Mãe Volga", o rio da identidade nacional, tão carregado de lendas e simbolismo quanto o São Francisco no Brasil ou o Mississippi nos Estados Unidos. Na década de 1950, seu nome foi usado para batizar um dos principais modelos de automóveis produzidos na antiga União Soviética. Não é ele o tema deste post, mas sim outro carro russo de uma geração um pouco mais recente: o Lada, velho conhecido dos brasileiros e um dos primeiros importados da era Collor.


Lada {ou Lad'ya, na pronúncia russa) é o nome do barco a vela estilizado que se vê no logotipo ao lado. Sua semelhança com os navios Viking não é mera coincidência, já que foi neles que os russos se inspiraram para criar uma embarcação de menor porte, destinada principalmente ao transporte fluvial.

Mas o Lada sobre rodas não nasceu com esse nome. No começo, chamava-se VAZ 2101, denominação de escasso apelo comercial para um automóvel que o governo soviético pretendia exportar em grande volume para todos os países do antigo bloco socialista, bem como para vários mercados do ocidente. A ambição era proporcional ao gigantismo da fábrica construída em associação com a Fiat na localidade de Stavropol, às margens do Volga, na época a maior unidade produtora de automóveis do mundo.

Nota no L'Unità, jornal do PCI: comunista sim, mas com o orgulho de ser italiano

Concluído em 1970, o empreendimento teve a participação direta do governo italiano, tendo o aval político do veterano líder comunista Palmiro Togliatti. Em homenagem ao velho aliado, fundador do Partido Comunista Italiano, Stavropol teve o seu nome mudado para Tolyatti. E numa contrapartida mais concreta aos novos parceiros comerciais, a União Soviética comprometeu-se a lhes fornecer chapas de aço produzidas em suas siderúrgicas. Essas chapas de aço, que foram utilizadas não só pela Fiat como por outras empresas italianas do setor nas décadas de 1970 e 1980, acabaram afetando negativamente a imagem dessas empresas por sua baixa resistência à corrosão, motivo de constantes preocupações para a maioria dos proprietários de carros italianos produzidos no período.

Mas de volta ao tema deste post, a escolha de um nome mais atraente em substituição ao VAZ 2101 foi feita por um meio surpreendentemente democrático para um país onde quase todas as decisões eram tomadas pelo governo: uma concurso via correio, organizado em conjunto com uma das poucas revistas automotivas russas, em que qualquer cidadão poderia indicar o nome de sua preferência.

Choveram cartinhas com nomes de toda espécie, desde os delicadamente poéticos como "alvorada" e "primavera" até outros de viés mais ideológico, como "longa vida aos ideais do marxismo-leninismo" (em forma de acrônimo, é claro). Entre os milhares de nomes sugeridos havia até Madonna, presumivelmente uma homenagem à religião predominante no país de origem do novo modelo. 

Depois de muita deliberação, foi proclamado um vencedor: Zhiguli, nome de uma cadeia montanhosa próxima a Tolyatti, e por extensão ao Volga. Foi com essa denominação que o VAZ 2101 começou a ser exportado. Mas logo começaram a chegar mensagens um tanto constrangidas dos distribuidores na Bélgica, primeiro país do ocidente a importar o sedã russo, dando conta de que já começavam a circular piadas maldosas motivadas pela proximidade fonética entre Zhiguli (pronuncia-se "jiguli") e gigolô.

O jeito foi vasculhar as sugestões recebidas em busca de outro nome. E uma vez mais, a solução veio do Volga com o nome do barquinho Lada, tão associado a esse rio quanto Zhiguli, mas sem conotações indesejáveis no ocidente.


O Lada pode ter sido um automóvel polêmico ao longo de sua história, com detratores e defensores em igual proporção. Mas o fato é que vendeu quase 17 milhões de unidades, quatro vezes mais que o Fiat 124 que lhe serviu de modelo, sendo portanto um dos automóveis mais vendidos de todos os tempos. Gerou dois filhotes, a perua Laika e o fora-de-estrada Niva, e só saiu de cena no início deste ano depois de mais de quatro décadas em produção. Deixou como legado o seu nome, que hoje identifica não só um modelo de automóvel mas a própria empresa fabricante, atualmente associada à Renault.

Nada mal para um barquinho que foi resgatado das águas do Volga quase que por acaso...


sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Já para a oficina


Meu chefe de equipe - ou melhor, meu clínico geral - deu ordens para que eu me recolhesse à oficina (mais conhecida como "hospital") para fazer uns testes. Sabe como é, quem já passou dos 60 mil está sujeito a essas coisas... Vou me internar às nove da manhã, e se tudo der certo saio de lá hoje mesmo, ou quem sabe amanhã.

Devido a esse imprevisto, é provável que o próximo post sofra um pequeno atraso. Bom, pelo menos poderei aproveitar a parada na "oficina" para amadurecer o conteúdo e burilar o texto mentalmente... Outra consequência dessa parada é que só poderei liberar comentários e responder a eles depois que o capo ufficcina liberar a minha própria saída.

Obrigado a todos pela compreensão - e até breve!

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Sessão oásis

Depois de um post sobre um tema um tanto árido, para não dizer desagradável (e sem ao menos uma foto para refrescar), bom mesmo é começar a semana indo para o extremo oposto. Nada de palavrório, apenas uma galeria de imagens de clássicos da categoria GT que fazem bem aos olhos e alimentam a alma dos entusiastas. E vamos ficando por aqui, porque se falar mais estraga.

Ferrari 250 GT Lusso
Maserati 3500 GT
AC Aceca
Alfa Romeo Giulia TZ
Alpine A110
Alpine A110
Lancia B20 GT
Lancia B20 GT
Lamborghini GT 400
Lamborghini Miura
Imagens: arquivo pessoal do autor. Reprodução permitida mediante atribuição a este blog.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Salão de Antigos de SP, a crônica de uma cobertura impossível



Hoje é o primeiro dia do Salão Internacional de Veículos Antigos de São Paulo. Um evento que vale à pena visitar, mas que por motivos alheios à minha vontade não será coberto por este blog.

Creio que os leitores do Adverdriving, principalmente os que acompanham o blog há mais tempo, poderão se interessar em saber que motivos foram esses. Então, vamos começar a história pelo começo.

Há pouco mais de dois meses, recebi um e-mail da empresa organizadora do Salão, a Reed Alcântara Machado, me convidando para atuar como "blogueiro embaixador" do evento.

Ao receber o convite, imaginei que o status de "blogueiro embaixador" me daria condições ideais para fazer essa cobertura. Minha principal preocupação era a de poder fotografar os automóveis antes da abertura oficial, já que no horário normal de funcionamento é impossível obter fotos de boa qualidade. Sei disso porque visitei a edição do ano passado, em que o público era tanto que mal se podia circular pelos corredores do Anhembi, que dirá fazer fotos com um padrão de qualidade minimamente aceitável.

Para me certificar de que essa era uma das prerrogativas de um "blogueiro embaixador", liguei para a Reed Alcântara Machado. A funcionária que me atendeu - por sinal, a mesma que havia assinado o convite - não soube esclarecer a questão. Disse apenas que perguntaria à sua supervisora e então me daria um retorno - coisa que não aconteceu.

Passados alguns dias, decidi ligar para a tal supervisora (a qual aparentemente não estava a par do meu telefonema anterior). Repeti as perguntas que havia feito da primeira vez, formalizando este novo contato através de um e-mail. Uma vez mais, não obtive resposta.

Para minha surpresa, uma semana depois recebo um e-mail assinado por uma terceira funcionária da Reed Alcântara Machado cobrando uma resposta ao convite para atuar como "blogueiro embaixador". Respondi da única maneira possível, ou seja, reiterando as perguntas que já havia feito nos meus contatos anteriores com a empresa. A qual, uma vez mais, não se dignou a me fornecer uma resposta.

Diante do impasse, achei melhor esquecer essa história de "blogueiro embaixador" e entrei no site do evento para solicitar uma velha e boa credencial de imprensa. E aí, deparei com um novo impasse: para me habilitar a essa credencial, eu precisaria ter registro profissional como jornalista e trabalhar para um veículo de comunicação formalmente constituído. O que não é o meu caso, mesmo possuindo um título de mestrado em jornalismo. Assim como não é o caso da grande maioria de blogueiros que escrevem sobre temas automotivos, no Brasil e em qualquer outra parte do mundo.

Vale notar que em junho deste ano, quando realizei as coberturas do Berlin Oldtimer Show e do Eifelrennen de Nürburgring, o fiz com credenciais de imprensa emitidas pelas respectivas entidades organizadoras. Nenhuma delas fez exigências nem remotamente parecidas com as da Reed Alcântara Machado.

Entendi então que só me restava jogar a toalha, já que eu não conseguiria fazer a cobertura do Salão Internacional de Veículos Antigos nos moldes que havia imaginado. E se for para fazer uma cobertura meia-boca, prefiro não fazer cobertura nenhuma.

Em resumo, foi isso que aconteceu.

Agora, se algum leitor fizer a gentileza de me dizer o que vem a ser um "blogueiro embaixador" ficarei muito agradecido, já que quem me convidou para essa função não soube ou não quis me explicar. Ou talvez eu é que tenha sido um pouco ingênuo demais para entender.


domingo, 18 de novembro de 2012

Homem das cavernas x caverna de homem


Karen Hofstetter é uma artista brasileira descendente de suíços, radicada há alguns anos em Berlim onde desenvolve uma bem sucedida carreira como ilustradora e designer gráfica. A maior parte de seus trabalhos revela um toque inconfundivelmente feminino, com tons pastel, estampas delicadas e letras desenhadas à mão. É natural que assim seja, até porque a maioria de seus clientes é formada por empresas que têm nas mulheres o seu público alvo preferencial.

Exatamente por ser uma pessoa antenada com as motivações do público, Karen é também uma artista versátil. Um bom exemplo disso é o poster que criou para o novíssimo portal The Collection Room, uma peça que reflete com rara sensibilidade o que se passa nas profundezas da alma masculina. Principalmente quando aquele que a contempla vem a ser um aficionado por automóveis clássicos.


O título desse poster - em português, "o lar de um homem é o seu castelo, mas a garagem é o seu santuário" - é uma adaptação de um antiquíssimo provérbio inglês que fazia referência apenas ao lar e ao castelo, já que não havia garagens nem automóveis na época em que surgiu. Em seu sentido original, afirmava a soberania do homem comum sobre o seu espaço de moradia, onde nem o rei poderia entrar sem o seu consentimento.

Ao acrescentar a garagem à frase, e ao equipará-la a um santuário, a versão do poster promove uma sutil mudança de foco: se as áreas comuns do lar já não garantem mais a tranquilidade e a privacidade de seu proprietário, a garagem passa a ser o seu último reduto. Não precisa ser uma garagem no sentido literal do termo - qualquer cantinho dentro de casa serve, contanto que esteja sob jurisdição masculina. Há até um nome para isso na literatura psicológica recente: caverna de homem.

Mas é bom não confundir caverna de homem com homem das cavernas, porque como se vê o poster de Karen Hofstetter é um paradigma de urbanidade civilizada. Com sua linguagem gráfica  sóbria e de um bom gosto irretocável, ficaria bem num daqueles gentlemen's clubs londrinos com sofás chesterfield e tapetes orientais onde a conversa flui em tons amenos com o acompanhamento de um habano ou um cálice de jerez. E ficaria ainda melhor numa garagem em estilo vitoriano onde repousa um Jaguar E-type ou um Bentley da década de 1920 entre latões de Castrol e uma bem fornida bancada de ferramentas.

Isso, bem entendido, num mundo ideal. No mundo real, esse poster pode ser exposto com igual satisfação em qualquer outro lugar. Se for numa caverna de homem, melhor ainda.

Serviço: Karen Hofstetter Goodies & Design  (http://www.karenhofstetter.com);  The Collection Room (http://signup.thecollectionroom.com